terça-feira, 16 de dezembro de 2008

DESPEDIDA CONDIGNA A BUSH:
JORNALISTA IRAQUIANO CHAMA-O DE CÃO E ATIRA-LHE
SAPATOS


O jornalista iraquiano Muntadhir Al-Zaidi, da Al-Bagdadyia TV , fez uma despedida condigna a Bush durante a visita surpresa do mesmo a Bagdad. Em meio a uma conferência de imprensa, cercado pelos brutamontes da segurança bushiana, Al-Zaidi teve a coragem de levantar-se e chamar de "cão" ao criminoso de guerra Bush, atirando-lhe sapatos a seguir (um grave insulto na cultura árabe).

Para ver a cena clique aqui .

Ver também Uruknet .

Assine a petição para libertar Muntadhir Al-Zaidi: http://www.ipetitions.com/petition/iwffomuntatharalzaidi/


Directiva do tempo de trabalho

Na sessão plenária do Parlamento Europeu iniciou-se a discussão do relatório Cercas, sobre a directiva do tempo de trabalho, tendo Ilda Figueiredo intervido no sentido de denunciar esta tentativa de gigantesco retrocesso nos direitos dos trabalhadores.

Intervenção de Ilda Figueiredo no PE sobre o Relatório Cercas sobre o tempo de trabalho



O objectivo central desta proposta do Conselho é desvalorizar o trabalho, aumentar a exploração e possibilitar mais ganhos ao patronato, mais lucros para os grupos económicos e financeiros, através de um horário semanal médio de 60 ou 65 horas, e de menores salários, através do conceito de "tempo inactivo" de trabalho. É um dos aspectos mais visíveis da exploração capitalista e põe em causa tudo o que têm afirmado sobre "conciliação entre vida profissional e vida familiar". A proposta é um retrocesso de cerca de cem anos nos direitos conquistados em duras lutas dos trabalhadores, que são pessoas, e não máquinas.

Por isso, defendemos a rejeição desta posição vergonhosa do Conselho Europeu e apelamos ao voto dos deputados e a que oiçam o protesto dos trabalhadores para evitar mais graves tensões sociais, mais retrocessos e o retorno a uma espécie de escravatura, em pleno século XXI.

Num momento de crise e desemprego, o que se impõe é a redução progressiva da jornada de trabalho, sem perda de salários, visando a criação de mais empregos com direitos. É preciso respeitar a dignidade de quem trabalha.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Luta do povo da Grécia


A maior greve geral da história da Grécia paralisou na quarta-feira aquele país. Os acontecimentos ali ocorridos nos últimos dias transcendem o quadro local. Os grandes media internacionais tentam minimizar o significado das gigantescas manifestações de Atenas confundindo o movimento popular de protesto com a explosão de violência anárquica desencadeada por grupos de jovens após o assassínio pela polícia de um estudante.

Mas a manipulação desinformativa não pode ocultar os factos.A greve fora prevista com larga antecedência e a resposta maciça do povo ao apelo das centrais sindicais e do Partido Comunista expressou-se em exigências concretas.

O povo grego condenou nas ruas a ofensiva contra o serviço de saúde e a criação de universidades privadas (proibidas pela lei), exigiu salários dignos para os trabalhadores, o encerramento das bases norte-americanas, a revogação das leis que restringem liberdades e penalizam o trabalho, e a ruptura com Schengen, condenou a fascização das polícias e dos serviços secretos, a militarização da União Europeia e a vassalagem perante os EUA.











As manifestações de Atenas e noutras cidades gregas são uma outra manifestação da crise económica e social que atinge presentemente toda a humanidade.

A onda de violência não é apoiada pelos Sindicatos nem pelo Partido Comunista, mas surgiu em resposta (compreensível) à politica reaccionária do governo de Kosta Karamanlis que, alinhando com outros da União Europeia, acode com milhares de milhões de euros aos banqueiros responsáveis enquanto desencadeia a repressão contra os trabalhadores.

A Grécia é nestes dias uma vitrina dramática da crise mundial. O seu povo, assumindo-se como sujeito, confirma com o seu exemplo, que é pelos caminhos da luta de massas e não através dos parlamentos controlados pelos partidos das classes dominantes que o capitalismo estremece, recua e pode ser derrotado.

No apelo à mobilização que dirigiu aos trabalhadores na ante-véspera da greve, Aleka Papariga, secretária-geral do Partido Comunista da Grécia, afirmou «sabemos como lutar em cada fase e pela via que seja mais adequada em cada momento. É por termos essa experiência que apoiamos toda a forma de luta que acelere, dinamize e dê força política ao movimento».Na Grécia estavam reunidas condições objectivas e subjectivas para que o povo desafiasse o Poder da burguesia nas ruas e numa greve geral que paralisou totalmente o país.O que semanas atrás parecia inatingível é hoje, segundo dirigentes da União Europeia, uma situação previsível. Pela força do povo, o governo de Kosta Karamanlis pode cair de um dia para outro.
  • EDITORES DE ODIÁRIO.INFO

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008


Guisado



Havia uma proposta, a votar na Assembleia da República, para que fosse suspenso o actual processo de avaliação dos professores. Naturalmente que, por força da força com que tal avaliação é contestada, nas escolas e nas ruas, pela esmagadora maioria dos docentes, tal proposta mereceria, por parte de toda a oposição, um voto favorável, viesse donde viesse tal proposta (desde que não fosse do PCP...) Voto ao qual seria de esperar que se juntassem, envergonhadamente embora, alguns elementos da bancada socialista – ou que, pelo menos, se registasse alguma abstenção que fizesse romper a maioria PS que apoia cegamente a política de Sócrates.

Assim não aconteceu. A proposta foi derrotada, a maioria manteve-se. À custa da larga ausência de deputados na sala, trinta e cinco, segundo consta. Mas, sobretudo, à custa da dezena de parlamentares do PSD que já haviam assinado o ponto e se pisgaram.

Vai daí, os media de serviço aproveitaram logo para meter no mesmo saco todos os deputados e declararem o escândalo. Era impossível esconder o número avantajado de votos assim «recolhidos» no PSD, numa contagem que acabou por ser favorável ao Governo. Mas poucos se detiveram a especular sobre as razões de tais e tão oportunas ausências. Por nossa parte, que gostamos pouco de especulações, não deixaremos de assinalar o facto. A avaliação da ministra Rodrigues, amparada na política de Sócrates, mantém-se com este favor concedido pelo PSD...

Um favor, é certo, concedido por baixo da mesa, mas mesmo assim um favor de monta, tão pesado como um pontapé de Yannick Jaló, que deu uns milhões ao Sporting, ou os disparos do Benfica nas redes do Marítimo, que o fizeram aceder ao primeiro lugar. Não nos parece que uma dezena de deputados dessem à sola só porque são irresponsáveis e tenham mais que fazer.

Num momento em que a política nacional embarcou na veloz nave das eleições, esta votação, que dá ao adversário o que ele pretende, revela-se como uma profissão de fé na política de direita, que vem em primeiro lugar, muito antes das rivalidades partidárias que sobem de tom assim que se avistam as urnas. Quem mostra mais sensatez, nesta direita que começa onde a esquerda acaba, é o CDS, que já avalizou a candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa e que acaba de se mostrar disponível para apoiar quem lho peça – PS ou PSD, tanto dá. O guisado eleitoralista começa a ferver. É que o tacho está ao lume.

  • Leandro Martins

Os inocentes



O mundo capitalista está em crise, mas Portugal safa-se. Esta é a mensagem que o Governo tem vindo a dar aos portugueses entre um magalhães e outro, com o próprio primeiro-ministro Sócrates a afirmar que em 2009 as famílias vão ter mais poder de compra, graças à descida da taxa de juro para a habitação e à quebra do preço do petróleo, pelo que não há motivos para outros sentimentos que não sejam de esperança e muita alegria por estarmos assim tão bem governados.

É claro que, como não há bela sem senão, logo havia de vir o Instituto Nacional de Estatística (INE) dizer que a economia portuguesa decresceu 0,1 por cento no terceiro trimestre do ano, mas nem isso abalou a fé de Vitalino Canas, porta-voz do PS, para quem os «números denotam um abrandamento já esperado, reflexo da crise internacional», pelo que continua a não haver crise. E tanto assim é que, questionado sobre a possibilidade de Portugal entrar em recessão técnica se a economia voltar a registar um crescimento negativo no último trimestre de 2008, Vitalino se escusou a fazer «conjecturas», considerando que o importante é transmitir confianças aos portugueses nas medidas de apoio às famílias e às empresas que o Governo tem vindo a tomar.

Também o seráfico Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio – o tal que ganha 250 mil euros por ano (18 vezes mais que o rendimento per capita nacional), e para quem o subsídio de desemprego sofre de elefantíase, ou seja é um exagero –, Vítor Constâncio, dizíamos, considera que a economia nacional não está, por esta altura, em recessão técnica, ao contrário do que acontece na Europa. Sempre prudente – excepto quando se trata de vislumbrar sintomas de fraude no sistema bancário, altura em que manifestamente sofre de miopia ou mesmo de vista grossa –, Constâncio adianta que o País pode vir a entrar em recessão ainda este ano, admite mesmo que 2009 pode não trazer «boas notícias», mas vai adiantando que, a ser assim, será porque a recessão vai ser «global», que é como quem diz que o Governo está inocente de tal desastre, e apesar de considerar difícil «fazer previsões a longo prazo» sempre acrescenta – para sossego das hostes e em benefício do inventário eleitoral – que em 2010 vai haver melhorias.

Já o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, parece desfasado do discurso oficial – ou teve o azar de lhe caber o papel de «polícia mau», sabe-se lá – e veio dizer o que toda a gente já sabe, ou seja, que «há uma coisa de que temos que estar certos: o ano que temos pela frente não vai ser fácil». Nem é preciso ser ministro para tal conclusão, mas adiante. Bem sintonizado está o Teixeira na «garantia» de que isto da crise, a haver, é coisa lá de fora, o que inocenta o Governo de qualquer pecado presente futuro ou passado, pelo que façam lá o favor de não confundir as coisas na hora do voto, PS há só um, o nosso e mais nenhum, e o que é nacional é bom, politicamente falando, é claro, que quanto ao resto estamos conversados, a Europa do capital toma conta de nós.

Postas as coisas neste pé, confesso que este Natal vai tudo corrido a lápis de pau e papel almaço. Não é por nada. É que com tantos magalhães e tanta fé no Governo se me esgotou a imaginação.

  • Anabela Fino

terça-feira, 9 de dezembro de 2008





Velha pólvora

A verdade é que em muitos sectores da sociedade, embora talvez não tanto quanto seria recomendável, o centralismo democrático é adoptado e ninguém se surpreende por isso: são ouvidas as opiniões dos escalões de actividade não situados no topo, esses pareceres ascendem até aos níveis onde as decisões são tomadas, quando estas são finalmente fixadas obrigam uns e outros. É, obviamente, um método eticamente democrático, higiénico. E normalíssimo ou, pelo menos, desejável que o seja.”


Era inevitável que a abertura do XVIII Congresso do PCP fosse a mais relevante notícia que na manhã do passado sábado a televisão nos traria. E com diferenças de tom pouco notórias entre as diversas estações, previsão esta que o passado de todas e cada uma delas claramente permitia. Tendo escolhido sintonizar a SIC-Notícias, que dá menos nas vistas e onde por isso talvez seja possível maior desafogo, assisti à breve entrevista feita a Odete Santos por uma jornalista que não apenas é distinta como também tem exercido as funções do que se designa, creio, por jornalismo parlamentar, muitas vezes uma especialização híbrida entre a politologia e o relato desportivo.
Quero com isto dizer que não se tratava de uma qualquer jornalista, com perdão da palavra, isto é, de uma daquelas jovens pré-estagiárias que todos os dias nos surgem, sempre diferentes e sempre lamentavelmente iguais: esta era uma jornalista experiente, decerto sabedora e credenciada. Talvez por isso se decidiu a abordar Odete Santos, que bem se sabe ser mulher de ideias firmes, palavras claras e poucas mesuras. Foi, da parte da jornalista, um acto de alguma coragem, sobretudo porque bem se sabe que a generalidade do jornalismo televisivo, pelo menos a julgar pelo que na TV se vai ouvindo e vendo, não morre de amores pelo PCP e trabalha em estrita coerência com esse dado fundamental. E, nesse quadro, Odete Santos não é um interlocutor fácil.
Não será surpreendente que eu tenha esperado da jornalista uma abordagem com alguma originalidade: a gente vive assim, a transferir de um lado para o outro, de uma pessoa para outra, expectativas que o bom senso talvez aconselhasse a não ter. De qualquer modo, o certo é que me desapontou ouvir a repórter a questionar Odete Santos acerca de dois temas que são há muito tempo insuportáveis velharias no arsenal do anticomunismo de grau inferior, pólvora já seca e contudo sempre reutilizada pelos que aparentemente não encontram melhores munições para disparar: o centralismo democrático e a Coreia do Norte.
Como se saberá, o centralismo democrático sempre fez uma grande impressão à generalidade das gentes não-comunistas sem que eu alguma vez tenha percebido bem porquê, o que provavelmente decorre de defeito meu mas pode também resultar da circunstância de o sentido da convivência democrática não ser uma percepção tão nítida e tão generalizada quanto seria desejável. A verdade é que em muitos sectores da sociedade, embora talvez não tanto quanto seria recomendável, o centralismo democrático é adoptado e ninguém se surpreende por isso: são ouvidas as opiniões dos escalões de actividade não situados no topo, esses pareceres ascendem até aos níveis onde as decisões são tomadas, quando estas são finalmente fixadas obrigam uns e outros.


É, obviamente, um método eticamente democrático, higiénico. E normalíssimo ou, pelo menos, desejável que o seja.


Quanto à Coreia do Norte, a coisa é mais curiosa. Terá surgido a partir de uma resposta em tempos dada com honestidade e rigor pelo deputado Bernardino Soares a uma pergunta formulada no quadro de uma entrevista dada ao «DN»: disse ele que não sabia se o regime da Coreia do Norte não era democrático. Note-se que o deputado não garantiu a democraticidade do regime norte-coreano, apenas deixou a questão em aberto, mas o anticomunismo militante não se ocupa de tais pormenores.
Depois disso, acrescentaram-se os argumentos da sucessão dita dinástica no poder da Coreia do Norte, o reverencial culto da personalidade pelo líder, a alegada pobreza do povo norte-coreano. Nunca a avaliação da Coreia do Norte foi feita como lucidamente Odete Santos recomendou à jornalista: no enquadramento das circunstâncias próprias de cada situação.
Contudo, os que muito se impressionam pelo facto de Kim-Zong-Il ter sucedido a Kim-Il-Zong nem parecem ter reparado que George W. Bush é filho de George Bush; os que se escandalizam com o culto da personalidade de que são objecto os líderes norte-coreanos fingem não saber que naquele mesmo Oriente o imperador do Japão era até há uns anos atrás olhado como a própria encarnação do deus vivo sem que o Ocidente mostrasse estranheza por isso; os que invocam situações de fome na Coreia do Norte silenciam as terríveis calamidades meteorológicas que durante anos sucessivos as desencadearam. E, de um modo mais geral, escamoteiam o facto de a Coreia do Norte não ser o modelo do PCP. Isto é: evitam cuidadosamente o dever elementar da honestidade intelectual.

  • Correia da Fonseca








segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

No 3º trimestre de 2008 o desemprego atingiu 569 mil portugueses; os desempregados com ensino superior aumentaram em 44%; e menos da metade dos desempregados recebe o subsidio respectivo


por Eugénio Rosa [*]


RESUMO DESTE ESTUDO

O aumento do desemprego e da precariedade no nosso País, associado à redução do apoio aos desempregados, está também a contribuir fortemente para o aumento da miséria em Portugal.

O governo tem afirmado que já foram criados 100 mil postos de trabalho, mas a análise dos dados do INE revela que esse número resulta de uma manipulação pelo, pois compara trimestres não homólogos, portanto não comparáveis sob o ponto de vista técnico devido à sazonalidade do emprego. Se a comparação for feita entre trimestres homólogos, por ex., entre o 3º trimestre de 2005 e o 3º trimestre de 2008, o crescimento do emprego liquido é já apenas de 65,8 mil. Entre o 2º Trimestre de 2008 e o 3º Trimestre de 2008, verificou-se uma destruição líquida de emprego, pois o emprego neste período diminuiu em 32,3 mil. A continuar esta destruição líquida de emprego nos trimestres seguintes, e nada garante que isso não possa acontecer com a recessão económica, no fim de 2009 a população empregada poderá ser mesmo inferior à do no inicio de 2005.

De acordo com o INE, no 3º Trimestre de 2008 o desemprego oficial atingiu 433,2 mil mas o desemprego efectivo ou corrigido, que inclui os "inactivos disponíveis" e o "subemprego visível", cujos dados são também divulgados pelo INE, atingiu já 569,1 mi portugueses. Como consequência, a taxa desemprego oficial de 7,7% sobe para 10,1%, que é a taxa de desemprego efectiva ou corrigida.. Para 2009, tomando como base a previsão da OCDE de Novembro de 2008, o desemprego e a taxa oficial de desemprego devem atingir 477,5 mil e 8,5% respectivamente, mas o desemprego efectivo e a taxa de desemprego efectiva devem alcançar, respectivamente, 617,5 mil e 11%. E entre o desemprego, o que tem crescido mais em Portugal é o de escolaridade mais elevada,. o que revela que a economia portuguesa está a criar fundamentalmente empregos de baixa escolaridade. Entre o 2º Trimestre de 2005 e o 2º Trimestre de 2008, o desemprego oficial aumentou 2,6%, e o desemprego com nível de escolaridade até ao ensino básico ou menos diminuiu -4%, mas o desemprego com ensino secundário cresceu em 10,7%, e o desemprego com ensino superior aumentou em 53,1%. Entre o 2º Trimestre de 2008 e o 3º Trimestre de 2008, o desemprego oficial cresceu 5,6%, mas o desemprego de trabalhadores com o ensino superior aumentou em 44,3%.

Apesar do desemprego ter aumentado, o apoio aos desempregados tem diminuído em Portugal. O valor orçamentado em 2008 para pagar subsídios de desemprego é inferior ao valor de 2007 em quase 200 milhões €, e daquele total apenas 85% será gasto. E para 2009, apesar de se prever um aumento do desemprego, o orçamentado para pagar subsídios de desemprego é inferior ao valor de 2008 em mais de 200 milhões de euros. Entre 2006 e 2008, o numero de desempregados a receber subsidio diminuiu em 50.000. E isto porque o Decreto-Lei 220/2006 publicado por Sócrates, reduziu o tempo a que o desempregado tem direito de receber o subsidio de desemprego (artº 37), por um lado, e, por outro lado, retirou aos desempregados, que tenham tido sucessivos empregos de curta duração, o direito a receber subsidio de desemprego quando estão desempregados (artº 23, nº2) . O governo de Sócrates promove o trabalho precário de curta duração e, depois, utiliza esse facto para retirar o direito a esses trabalhadores a receber o subsidio de desemprego quando estão desempregados.

Em Portugal, o emprego precário cresceu muito nos quatro anos de governo de Sócrates. Entre o 1º Trimestre de 2005 e o 1º Trimestre de 2008, o emprego aumentou 1,9% (+96,6 mil), mas o numero de trabalhadores contratados a prazo cresceu 27,2% (+153,4 mil). Se a comparação for feita entre o 3º Trimestre de 2005 e o 3º Trimestre de 2008, o crescimento do emprego é de 1,2% (+65,8 mil), enquanto o aumento dos trabalhadores contratados a prazo é de 23,1% (+137 mil). Se consideramos como precários os trabalhadores contratados a prazo, mais os que estão inscritos na rubrica "outros", mais os "trabalhadores por conta própria como isolados", muitos deles a recibo verde, obtém-se, para 1º Trimestre de 2005, 1.662 mil; para o 1º Trimestre de 2008, 1.811,8 mil; e para o 3º Trimestre de 2008, 1.818, 3 mil. Em percentagem da população empregada, os precários tem tido um crescimento rápido nos 4 anos de governo de Sócrates : 31,8% no 1º Trimestre de 2005; 34,9% no 1º Trimestre de 2008; e 35% da população empregada no 3º Trimestre de 2008. Em resumo, o pouco emprego que se criou foi fundamentalmente emprego precário que poderá continuar a aumentar com as alterações que o governo aprovou para o Código do Trabalho.

[*] Economista

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