quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

GAZA
«Hipocrisia sangrenta»


Altos responsáveis de países que se consideram faróis da «civilização» multiplicam apelos à «contenção» e ao«cessar-fogo» em Gaza, como quem procura assim cumprir uma obrigação perante o «agravamento da crise» no Médio Oriente. A hipocrisia de presidentes, ministros, diplomatas ou porta-vozes é tão óbvia como de costume, mas ainda consegue ser chocante tendo em consideração a tragédia que vitima mais de um milhão de meio de pessoas amontoadas num pequeno território inóspito aferrolhado entre Israel, o Egipto e o Mediterrâneo.

Tais apelos baseiam-se na objectividade de um pretenso distanciamento entre as «partes em conflito», assim se exigindo uma rigorosa simetria de comportamentos como numa guerra convencional entre exércitos clássicos. Simetria, pois, entre civis indefesos e as forças armadas que ocupam o quarto lugar no ranking das mais poderosas do mundo; entre ocupados e ocupantes; entre morteiros mais ou menos artesanais e o poder de fogo dos F-16 e dos tanques de última geração; entre comunidades famintas sujeitas há anos a um feroz bloqueio de bens essenciais e uma nação estruturada apoiada sem limites pelo mais poderoso país do planeta; entre as vítimas e respectivos descendentes de uma limpeza étnica e os ses autores.

O Hamas quebrou a trégua e tem de pagar, devendo desde já sujeitar-se ao regresso ao cessar-fogo faça o inimigo o que fizer, sentenciam os diplomatas civilizados. Trégua que verdadeiramente nunca existiu, uma vez que foi desde logo desrespeitada pelo Estado de Israel ao violar um dos seus pressupostos essenciais: o fim do bloqueio humanitário a Gaza. Durante os últimos seis meses o cerco não apenas se manteve como se apertou.

Como movimento terrorista, o Hamas tem que pagar, dirão ainda e sempre os civilizados senhores do poder de distinguir os que são e os que não são terroristas, do mesmo modo que lançam guerras contra possuidores de armas de extermínio que nunca existiram.

O Hamas, porém, praticamente não era nada quando se iniciou a primeira Intifada palestiniana, em fins de 1988. Hoje, o papel dos serviços secretos de Israel na criação efectiva de um movimento islâmico, o Hamas, para dividir a resistência nacional palestiniana dirigida pela Organização de Libertação da Palestina (OLP) já nem é sequer um segredo de Polichinelo. Os interessados em aprofundar o assunto poderão começar por pesquisar através da obra de Robert Dreyfuss e começar a desenrolar o novelo. Descobrirão elementos muito interessantes e com flagrante actualidade.

A verdade é que de grupinho divisionista e terrorista o Hamas se transformou num movimento que, tirando dividendos dos fracassos sucessivos do chamado processo de paz, boicotado por Israel e Estados Unidos e assumido pela Fatah como única opção estratégica, conseguiu ganhar as eleições parlamentares palestinianas em 2006. O Hamas cresceu com as estratégias militaristas em redor, como os talibãs no Afeganistão (agora controlando zonas a menos de 50 quilómetros de Cabul) ou o Hezbollah no Líbano, fruto das invasões israelitas da década de oitenta.

Reconhecer que o Hamas é agora uma realidade evidente no problema israelo-palestiniana não significa fraqueza, simpatia ou conivência com o terrorismo. É, prosaicamente, uma simples questão de senso comum.

As eleições de 2006, proclamaram os observadores internacionais, muitos deles oriundos das terras «civilizadas», foram livres e justas. Logo, ao Hamas coube formar governo – diz-se que é assim que funciona a democracia.

Engano puro. A chamada «comunidade internacional» decidiu não reconhecer o governo escolhido pela maioria dos palestinianos; nem sequer aceitou uma aliança entre o Hamas e a Fatah, que praticamente fazia o pleno da vontade dos eleitores. Pelo contrário, também não são segredo as diligências da administração de George W. Bush e do governo israelita de Ehud Olmert para lançar a guerra civil entre as duas principais organizações palestinianas – chegando, para isso, a fornecer armas à Fatah – fazendo simultaneamente por ignorar o acordo entretanto estabelecido pelos dois movimentos sob mediação do Egipto e da Arábia Saudita.

Este processo conduziu à divisão palestiniana: a Fatah na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, dependente do que Israel lhe permite ou não fazer; e o Hamas controlando Gaza, território dos seus principais feudos. Daí ao bloqueio a Gaza e, agora, à invasão, foi um pequeno salto.

O massacre está em curso, assistindo-se na comunicação social a tão curiosos como ridículos esforços para distinguir entre vítimas civis e militares. Em Gaza, para que conste, não há militares, a não ser os invasores. Existem restos da polícia autonómica, militantes do Hamas armados e organizados como milícias. O resto é milhão e meio de desempregados, famintos e humilhados. Tal é o inimigo de Israel que lançou alguns morteiros, por exemplo contra a cidade de Asqelon, que em 1948 se chamava Al-Majdal e era uma aldeia árabe cuja população, vítima da limpeza étnica em que assentou a criação do Estado de Israel, se refugiou em Gaza.

Os dirigentes de Israel asseguram que os «civis» serão poupados durante a invasão. Tal como aconteceu em 1982 em Beirute, onde os militares comandados por Ariel Sharon, fundador do partido de Ehud Olmert e Tzipi Livni, destruíram o sector ocidental da cidade, acabando por patrocinar os massacres de Sabra e Chatila. Ou em 1996, quando Shimon Peres, actual presidente israelita, foi responsável pelo massacre de Canan, também no Líbano, e mesmo assim perdeu as eleições parlamentares.Gaza, ainda assim, será diferente de Sabra e Chatila. Agora, os soldados israelitas sujam mesmo as mãos com o sangue das populações indefesas – salpicando inevitavelmente os hipócritas que os defende.

  • José Goulão

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

GAZA

Publicamos um texto do escritor português José Saramago, Prémio Nobel da Literatura, sobre a criminosa actuação de Israel na Faixa de Gaza com a cumplicidade dos governos da União Europeia e dos Estados Unidos.
José Saramago - 30.12.08

A sigla ONU, toda a gente o sabe, significa Organização das Nações Unidas, isto é, à luz da realidade, nada ou muito pouco. Que o digam os palestinos de Gaza a quem se lhes estão esgotando os alimentos, ou que se esgotaram já, porque assim o impôs o bloqueio israelita, decidido, pelos vistos, a condenar à fome as 750 mil pessoas ali registadas como refugiados. Nem pão têm já, a farinha acabou, e o azeite, as lentilhas e o açúcar vão pelo mesmo caminho. Desde o dia 9 de Dezembro os camiões da agência das Nações Unidas, carregados de alimentos, aguardam que o exército israelita lhes permita a entrada na faixa de Gaza, uma autorização uma vez mais negada ou que será retardada até ao último desespero e à última exasperação dos palestinos famintos. Nações Unidas? Unidas? Contando com a cumplicidade ou a cobardia internacional, Israel ri-se de recomendações, decisões e protestos, faz o que entende, quando o entende e como o entende. Vai ao ponto de impedir a entrada de livros e instrumentos musicais como se se tratasse de produtos que iriam pôr em risco a segurança de Israel. Se o ridículo matasse não restaria de pé um único político ou um único soldado israelita, esses especialistas em crueldade, esses doutorados em desprezo que olham o mundo do alto da insolência que é a base da sua educação. Compreendemos melhor o deus bíblico quando conhecemos os seus seguidores. Jeová, ou Javé, ou como se lhe chame, é um deus rancoroso e feroz que os israelitas mantêm permanentemente actualizado.Publicado em O Caderno de Saramago dia 22 de Dezembro de 2008

Repúdio global


Contra o genocídio que Israel promove na Faixa de Gaza, centenas de milhares de pessoas manifestam-se em todo o mundo exigindo o fim imediato dos bombardeamentos e solidarizando-se com o povo palestiniano.

Protestos ocorrem desde sábado em Caracas, Beirute, Paris, Copenhaga, Estocolmo, Londres, Helsínquia, Madrid, em Istambul e outras cidades da Turquia, na Jordânia, Síria, Líbia, Paquistão, Bangladesh, Teerão, no Dubai, em Bagdad, Mossul e várias cidades iraquianas, no Cairo, ou em Santiago do Chile. Nos EUA, um protesto junto à sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, exigiu o fim do massacre.

Em Portugal, a CGTP-IN e o CPPC emitiram comunicados condenando o massacre na Faixa de Gaza. A central sindical sublinha que nada pode justificar este crime de guerra e apela ao reforço da solidariedade para com o heróico povo palestiniano.

No mesmo tom, o CPPC considera os ataques «um exemplo particularmente cruel da política de terrorismo de Estado que Israel pratica há várias décadas contra o povo da palestina e o seu direito a constituir-se em Estado soberano», e «alerta para as consequências que estes ataques poderão ter na já muito tensa situação no Médio Oriente».

A novidade


Tanto quanto pude perceber entre tosse, espirros e bater de dentes da quota parte de gripe que me coube em sorte em vésperas de Natal, a grande novidade da mensagem com que este ano Sócrates nos brindou residiu no facto de desta vez ter falado de pé e não sentado como de costume. A ocorrência foi de resto registada pela generalidade dos média, o que por si só já é sintomático da dificuldade em encontrar substância na substância da coisa.

O discurso foi de tal forma demagógico que até os mais prestáveis comentadores de serviço se viram em palpos de aranha para estabelecer uma ligação coerente entre as palavras do primeiro-ministro e a realidade nacional sem perder o tom de seriedade – mínimo que seja – que é suposto presidir a estas matérias.
O caso era bicudo, convenhamos: por um lado, os indicadores da crise, mais abundantes que passas em bolo rei, a transbordar das notícias; por outro, Sócrates de fato e gravata e árvore de Natal a prometer que ele e os seus ministros vão usar todos os recursos ao seu alcance para auxiliar empresas, trabalhadores e famílias; a pedir empenho e determinação aos portugueses para ultrapassar as dificuldades; e a garantir que o País está hoje em melhores condições para responder às dificuldades que nos chegam de fora, que por cá a situação está óptima e recomenda-se.

Tanta promessa e auto-elogio – tirados a papel químico das mensagens de 2007, 2006 e 2005 – causam engulhos até aos mais seguidistas, numa altura em que, de concreto, os portugueses conhecem o aumento galopante do desemprego, o ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores consubstanciado no Código do Trabalho, o endividamento para além de todos os limites, enquanto se sucedem os anúncios de «medidas» que até ver só são mensuráveis nos milhões entregues à banca para salvaguarda dos lucros escandalosos do capital.

Ainda assim, houve quem visse esta mensagem como uma espécie de injecção de confiança para estimular os portugueses a sacudir pessimismos, como se a crise e os seus efeitos fossem um estado de alma a precisar de umas palmadinhas nas costas para ganhar novo ânimo. É uma perspectiva. O problema – e não se trata de ser pessimista, mas realista – é que se é verdade que tristezas e desânimos não pagam dívidas, como os portugueses bem sabem, não é menos verdade que esperanças ocas não enchem barriga nem pagam créditos, como sabe quem tem bocas a alimentar e contas a acertar.

No mundo de faz de conta inventado por Sócrates os portugueses vivem todos melhor, as desigualdades esbatem-se dia a dia, o emprego floresce e a justiça social não pára de crescer. Pouco importa que todos os indicadores apontem em sentido inverso. O que é preciso é alinhavar palavras atrás umas das outras, em discursos de Natal que se repetem ano após ano pedindo «empenhamento e coragem» a quem já está empenhado – em sentido literal – até à orelhas.

Diz quem sabe destas lides que o discurso foi curto. Para o que foi dito, nem era preciso tanto.

  • Anabela Fino

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008


A não ser que...



Manuel Alegre sabe o que quer. Nos últimos tempos desdobra-se em entrevistas, discursos e intervenções em que, com a clareza possível, expõe os seus pontos de vista. Claro que, com tanta exposição mediática e tanta declaração política, Manuel Alegre nem tem tempo para assentar nas ideias e tem vindo a optar por uma expressão que o defende, mas também que é reveladora da sua actual posição.

Puxando dos seus dotes de oratória e das certezas certas de quem já tem todo o passado do mundo, à pergunta por onde vais, responde sempre – vou por ali, a não ser que...

Pensam que isto é só maledicência? Então vejamos.

Como é que vai votar o orçamento? Voto a favor, a não ser que me dê jeito não estar...

Vai votar no Partido Socialista? Neste momento não, a não ser que o PS mude, a não ser que volte a ser o que já foi...

Quer uma alternativa para ir a votos? Sim, a não ser que não seja necessário no imediato...

Vai ser candidato às próximas eleições legislativas? Não, nem pensar, a não ser que venha por aí um forte apelo cívico...

Teria gosto em estar com Sócrates, no jantarzinho de Natal? Sim, com certeza, a não ser que esteja com um certo e conveniente cansaço...

A não ser que a nossa memória nos traia, não há aqui nada de propriamente novo. Manuel Alegre sempre cumpriu este papel de reserva moral à esquerda das políticas de direita do PS, ameaçando bater com a porta... a não ser que valores mais altos se levantem.

Cá para mim, Manuel Alegre só não pensaria era, nesta fase da sua vida, andar metido nestes filmes. A não ser que a política anti-social do PS levasse a um amplo descontentamento popular e, consequentemente, às mais significativas e combativas acções de massas dos últimos anos, e a não ser que, correspondendo à sua posição firme e coerente de oposição, nas palavras e nos actos, à política de direita do Governo PS, cresça e se afirme o prestígio do PCP.

Ora isto, convenhamos, são muitos «a não ser que». E, a não ser que eu esteja muito enganado, estamos mesmo a ver no que é que isto vai dar.
  • João Frazão

Não sei se dizer Obrigado ou Parabéns


A Revolução Cubana comemora 50 anos daqui a uma semana. É obra. Um povo de 10 milhões de Homens e Mulheres, de um pequena ilha do Caribe, com o aparelho produtivo destruído por 500 anos de exploração colonial, atreveu-se a ser livre. Libertou-se da ditadura, libertou-se da colonização norte-americana, libertou-se do capitalismo, libertou-se do analfabetismo, libertou-se dos exploradores e dos parasitas, e vai-se libertando do secular atraso económico e social.

Perante a derrota de Moncada e o difícil desembarque do Granma, escolheu seguir em frente. Perante o mais feroz bloqueio de um inimigo incomensuravelmente mais poderoso, escolheu seguir em frente. Perante a derrota da revolução na URSS, com as mais brutais consequências para a economia cubana, escolheu seguir em frente.

Perante as fragilidades económicas típicas de um país vítima da pilhagem colonial, apostou no mais importante capital de uma nação - o seu povo - e escolheu seguir em frente.Enviou pelo mundo o mais internacionalista dos exércitos, dezenas de milhares de médicos, professores e técnicos apoiam há mais de 30 anos o desenvolvimento de dezenas de nações - e são cubanos os médicos do deserto do Sahara, do Soweto e dos bairros pobres de Caracas. Recebeu centenas de milhares de jovens dos países do chamado terceiro mundo, a quem deu uma formação académica ou técnica. Em Cuito Canavale as suas forças armadas deram um contributo decisivo para derrotar o exército do Apartheid, e para a liberdade da África do Sul, da Namíbia e de Angola.

A Revolução Cubana deu (e dá!) um valioso contributo para a causa da emancipação humana, e ensina não só o que é a liberdade, mas muito mais importante, ensina que é possível ser livre. É pois bem merecido o ódio que lhe votam os exploradores, os parasitas e todos os lacaios do monstruoso sistema que oprime a Humanidade. Mas bem mais valioso e imortal é o respeito, a gratidão e o carinho dos povos deste planeta.

Neste dia 31, será com rum o brinde lá em casa. Aos revolucionários cubanos: Obrigado e Parabéns. Venceremos!
  • Manuel Gouveia

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Dois sapatos e um presidente

«Al Zaidi foi preso e acusado pelas autoridades de «agressão a um chefe de Estado estrangeiro», o que em si é uma anedota. Em primeiro lugar porque a acusação é «agressão» e não insulto, ou seja, feita à luz da interpretação «ocidental» do arremesso. Em segundo lugar porque revela um buraco no edifício legal iraquiano, pois não prevê o insulto ou agressão «contra Chefe de Estado de potência ocupante». Em terceiro lugar porque, e citando um grupo de ulemas (1) (sunitas e xiitas), intelectuais, cientistas e advogados iraquianos, «atirar sapatos à cara de Bush é a resposta normal e adequada a tudo o que foi perpetrado por estecriminoso e sua pandilha de assassinos contra o povo iraquiano».


«Esta é a despedida do povo iraquiano, seu cão!». Foi com estas palavras que Muntadar al-Zaidi, jornalista da cadeia de televisão Al-Baghdadyia, acompanhou o arremesso dos seus dois sapatos contra George W. Bush. Apesar de a nossa vontade ser a de rapidamente enviar pares de sapatos a todos os jornalistas que se preparem para cobrir eventos com a participação de Bush – não podem ficar descalços depois de tão elevado serviço à Humanidade - resolvemos abordar o acontecimento com imparcialidade e por dois prismas: o do jornalista e, naturalmente, o de Bush.

Na cultura árabe o acto de atirar um sapato é o pior insulto (e não agressão) que se pode proferir contra uma pessoa. O sapato - e as suas solas - representam o mais impuro e o mais baixo. Por sua vez, o termo Cão é sinónimo de Diabo, Satanás, Cornudo, Satã ou Lúcifer. Decorre portanto que o voo certeiro dos sapatos de Al Zaidi não é somente um acto de inquestionável justiça mas também de assertividade semântica. Além, claro, de afastar qualquer tentativa de transformar o acontecimento numa generosa oferta de sapatos a Bush, coisa comum na sociedade estado-unidense em época natalícia.

Al Zaidi foi preso e acusado pelas autoridades de «agressão a um chefe de Estado estrangeiro», o que em si é uma anedota. Em primeiro lugar porque a acusação é «agressão» e não insulto, ou seja, feita à luz da interpretação «ocidental» do arremesso. Em segundo lugar porque revela um buraco no edifício legal iraquiano, pois não prevê o insulto ou agressão «contra Chefe de Estado de potência ocupante». Em terceiro lugar porque, e citando um grupo de ulemas (1) (sunitas e xiitas), intelectuais, cientistas e advogados iraquianos, «atirar sapatos à cara de Bush é a resposta normal e adequada a tudo o que foi perpetrado por este criminoso e sua pandilha de assassinos contra o povo iraquiano». Nas ruas, a solidariedade com Zaidi ecoa. Multidões exigem a sua libertação num misto de revolta pela prisão e de explosão de alegria pelo seu acto. Zaidi será defendido gratuitamente por um comité de 200 advogados de todo o mundo, a sua cadeia de televisão recusou pedir desculpas e chovem ofertas de emprego.

Do prisma de Bush, o balanço também é positivo. É que, mesmo sem a ajuda dos seus marines, evitou o pior, levar com eles na cara! E além disso, pela primeira vez desde que é presidente, teve uma reacção facial genuína!

(1) Do árabe ulemá ou álime - teólogo ou sábio, versado em leis e religião, entre os muçulmano

  • Ângelo Alves
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