sexta-feira, 23 de janeiro de 2009



Governo à direita - lérias à «esquerda»


J. Sócrates apresentou a sua «moção global» ao XVI Congresso do PS que decorrerá no final de Fevereiro. Como era inevitável e foi orquestrado pela omnipresente mas dissimulada central de informações e comunicação do Governo, a moção foi valorizada nos media dominantes, pelos escribas ao serviço do poder económico, ou que cobrem os flancos do PS/Sócrates, como uma «viragem à esquerda».

Assim o impõe a agenda do PS e dos seus especialistas de manipulação para procurar minorar o desgaste político (e eleitoral) na sua base de apoio, para prosseguir na utilização desenfreada da crise económica e social, em que - ao contrário do que diz o Primeiro Ministro - lhe assistem elevadíssimas responsabilidades, para se vitimizar, para fabricar a interiorização massiva do medo da crise, como instrumento para a resignação dos trabalhadores, para permitir a fuga às responsabilidades e o aprofundamento das suas políticas estruturantes de concentração de capitais e riqueza, para - se possível for - modificar em seu proveito o calendário eleitoral e mistificar as eleições.

Desde há muitos anos que o PS se faz de esquerda nas moções dos futuros líderes - Sócrates no XIV e XV Congressos era por «modernizar Portugal» e pela «esquerda moderna», agora no XVI é pelo «PS, força da mudança» - e assim tem sido nas «novas fronteiras» e nas eleições. São momentos instrumentais, para o ilusionismo eleitoralista, para enganar incautos e descansar consciências, uma espécie de intróito, que todos sabem destinado a novos avanços na política de direita, até se chegar a este Governo e à política mais à direita depois de Abril.

Uma «viragem à esquerda» não se faz de mais promessas falsas, como a de «reduzir desigualdades sociais» do Governo que é responsável pelo seu agravamento brutal e pela salvação dos banqueiros, como a de combater o neoliberalismo o Governo campeão da dogmática do défice, das privatizações e da reconfiguração do Estado.

Uma política de esquerda não se faz de 3 medidas avulsas aceitáveis, mas esvaziadas de substância e fora de contexto, ou de paleio contra os offshores, cuja concretização fica a depender das grandes potências.

Em Portugal-2009, uma «viragem à esquerda» é possível. Faz-se da luta de massas, do reforço do PCP, da ruptura democrática e da construção da alternativa – contra esta política e o Governo PS/Sócrates.
  • Carlos Gonçalves


quarta-feira, 21 de janeiro de 2009



O brutal ataque que o governo de Israel desencadeou sobre a população da Faixa de Gaza a 27 de Dezembro, traduziu-se num criminoso massacre, numa destruição e numa catástrofe humanitária sem precedentes. Mais de 1300 palestinianos foram mortos, entre os quais 417 crianças e 107 mulheres cobardemente assassinados.

Exigimos o fim dos massacres que há mais de 60 anos são perpetrados contra o povo palestiniano Os bombardeamentos e a invasão foram mais um exemplo da política de terrorismo de Estado de Israel numa guerra desigual contra o povo da Palestina e contra o seu inalienável direito a construir o seu Estado independente e soberano em solo da Palestina. As bombas deixaram de cair na Faixa de Gaza mas a actual situação de cessar-fogo é frágil. As declarações e discursos políticos de Israel não dão qualquer garantia de que novos massacres não voltem a acontecer.

O espectro da reocupação de Gaza permanece actual, o criminoso bloqueio ao território mantém-se, tal como permanece a ocupação da Palestina, a construção dos colonatos, o muro de separação e o autêntico genocídio do povo palestiniano. As bombas deixaram de cair mas a Paz não chegou ao Médio Oriente. Essa só terá lugar com o reconhecimento dos direitos nacionais do povo palestiniano, com o estabelecimento do Estado da Palestina nas fronteiras anteriores à guerra de ocupação de 1967, com capital em Jerusalém Leste. A luta continua por uma Palestina livre e independente!

As organizações promotoras da Manifestação que tem lugar em Lisboa, no Largo Camões, no dia 24 de Janeiro, às 15 horas, apelam a todos os homens e mulheres de paz que unam as suas vozes em solidariedade com o povo palestiniano que resiste e luta:

Pelo Fim dos massacres do Povo Palestiniano!

Pela investigação e processamento dos responsáveis israelitas pelos crimes de guerra e contra a Humanidade!

Pelo Fim ao Bloqueio a Gaza!
Pelo Fim à Ocupação da Palestina !

Por uma Paz Justa e duradoura no Médio Oriente!
CONTINUA A SAGA - AMARAL /OLHÃO








O Exame da Dona Rosete


A Dona Rosete é porteira há mais de 40 anos. Como boa observadora que é, um dia lembrou-se de ser comentadora.É ouvi-la falar de tudo e todos… E nada escapa ao exame da Dona Rosete!" Com Maria Rueff.Ouça aqui a bem disposta opinião da Dona Rosete sobre a candidatura de Gonçalo Amaral á Câmara Municipal de Olhão: Ouvir.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Operação chumbo impune


Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores pretende acabar com os terroristas, conseguira multiplicá-los. Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem autorização.

Perderam a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, perderam tudo.
Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes.

Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está a ser castigada. Converteu-se numa ratoeira sem saída. Algo semelhante ao que ocorreu em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador.

Banhados em sangue, os salvadorenhos expiram o seu mau comportamento e desde então viveram submetidos a ditaduras militares.
A democracia é um luxo que nem todos merecem

São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com má pontaria sobre as terras que haviam sido palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito de Israel à existência, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está a negar, desde há anos, o direito à existência da Palestina.

Já pouca Palestina resta. Passo a passo, Israel está a apagá-la do mapa. Os colonos invadem e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam o roubo, em legítima defesa. Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polónia para evitar que a Polónia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerra defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços prosseguem. A devoração justifica-se pelos títulos de propriedade que a Bíblia concedeu, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.

Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, o que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, o que se burla das leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros. Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está a executar a matança de Gaza? O governo espanhol não terá podido bombardear impunemente o País Vasco para acabar com a ETA, nem o governo britânico terá podido arrasar a Irlanda para liquidar o IRA.

Acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou esse sinal verde provém da potência mandona que tem em Israel o mais incondicional dos seus vassalos?

O exército israelense, o de armamento mais moderno e refinado do mundo, sabe a quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis chamam-se danos colaterais, conforme o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são crianças. E somam milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está a ensaiar com êxito nesta operação de limpeza étnica.

E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinos mortos, um israelense.

Gente perigosa, adverte o outro bombardeamento, a cargo dos meios maciços de manipulação, que nos convidam a acreditar que uma vida israelense vale tanto como cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atómicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irão foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada comunidade internacional, existe? Será algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? Será algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos se põem quando fazem teatro? Perante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial brilha mais uma vez. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, a declarações ocas, as declarações altissonantes, as posturas ambíguas rendem tributo à sagrada impunidade.

Perante a tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça de judeus foi sempre um costume europeu, mas desde há meio século essa dívida histórica está a ser cobrada aos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, anti-semitas. Eles estão a pagar, em sangue contante a sonante, uma conta alheia.

(Este artigo é dedicado aos meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latino-americanas que Israel assessorou).

  • Eduardo Galeano

domingo, 18 de janeiro de 2009

ARY SEMPRE

Original é o poeta

que se origina a si mesmo

que numa sílaba é seta

noutro pasmo ou cataclismo

o que se atira ao poema

como se fosse um abismo

e faz um filho ás palavras

na cama do romantismo.

Original é o poeta

capaz de escrever um sismo.

Original é o poeta

de origem clara e comum

que sendo de toda a parte

não é de lugar algum.

O que gera a própria arte

na força de ser só um

por todos a quem a sorte faz

devorar um jejum.

Original é o poeta

que de todos for só um.

Original é o poeta

expulso do paraíso

por saber compreender

o que é o choro e o riso;

aquele que desce á rua

bebe copos quebra nozes

e ferra em quem tem juízo

versos brancos e ferozes.

Original é o poeta

que é gato de sete vozes.

Original é o poeta

que chegar ao despudor

de escrever todos os dias

como se fizesse amor.

Esse que despe a poesia

como se fosse uma mulher

nela emprenha a alegria

de ser um homem qualquer.

CARTA A OBAMA
1220 MORTOS DEPOIS


Depois de 22 dias de bombardeamento da força aérea, que em 2500 raids despejaram 1000 toneladas de bombas e fósforo branco sobre o martirizado povo palestino (sem contar o que foi lançado pela artiharia, tanques, infantaria e canhoneiras), o estado nazi-sionista anuncia que vai suspender o seu ataque.

Mas reserva-se o direito de reinicia-lo quando muito bem lhe apetecer. Os 1220 mortos e 5500 feridos na Faixa de Gaza ainda não satisfizeram o governo sionista. É apenas uma suspensão para não constranger Obama no dia da sua posse como presidente. Desta guerra genocida contra um povo indefeso já se podem fazer algumas constatações:

1) A bravura, dignidade e coragem do governo legítimo do Hamas e das demais organizações democráticas e progressistas do povo palestino, como a FDLP , que não se renderam ao agressor sionista.

2) O papel vergonhoso desempenhado pela Autoridade Palestina encabeçada pelo sr. Abbas, que se comportou como o cúmplice amestrado do imperialismo e do governo sionista.

3) A atitude dúbia ou conivente de muitos países árabes, particularmente o governo egípcio.

4) O papel hipócrita do governo português (e da UE) pondo em pé de igualdade o criminoso e a vítima.

5) O dever moral das instituições internacionais de levar a julgamento os responsáveis pelos crimes de guerra israelenses.

6) O facto de que o povo de Gaza, agora com as suas infraestruturas destruídas, continua submetido a um cerco que visa dizimá-lo pela fome, pela falta de assistência médica e de tudo o mais.

7) A realidade de que o problema continua por resolver e que continua a ser indispensável a criação de um Estado Palestino, autónomo, livre e democrático.
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