quinta-feira, 19 de março de 2009


De visita


Na última sexta-feira, centenas de milhares de pessoas vieram «de visita à capital».

O dia estava soalheiro, os autocarros eram fretados, pelo que nada melhor do que uma passeata até Lisboa, tanto mais que o objectivo era «gritar a indignação que sentem contra o desemprego, que sofrem na carne, a pobreza, a incerteza quanto ao futuro, dos próprios e dos filhos e netos, e das ostensivas – e não resolvidas – desigualdades sociais, que em vez de serem corrigidas se agravam».

Foi mais ou menos assim que Mário Soares se referiu (DN de 17 de Março) à «megamanifestação» de dia 13 – a classificação é dele – combinando de forma sub-reptícia insinuações depreciativas com o reconhecimento da grave situação que afecta os trabalhadores portugueses, com o único objectivo de mandar avisos à navegação do Governo, já que na sua douta opinião «uma megamanifestação não resolve nada» mas – ano de eleições obriga –, «alerta os responsáveis para o que tem de ser imperativamente resolvido».

Insinuando que o bom tempo ajudou à mobilização dos manifestantes vindos «de todo o País» e que ninguém teve de se preocupar com o transporte, Soares omitiu aspectos que «por acaso» são determinantes para se avaliar quão profundo é o descontentamento popular e a determinação para a luta. O primeiro «pormenor» é que os trabalhadores, por mais que gostem de passear ao sol da capital em dia de semana, só o podem fazer (não estando de férias) cumprindo greve. O que tem pesados custos, como Mário Soares tem obrigação de saber, mais a mais em tempos de pobreza. Depois, vale a pena lembrar que os preços dos autocarros fretados – módicos que sejam – resultam na justa medida das quotizações sindicais, fonte de receita dos sindicatos que estão ao serviço dos trabalhadores e não em negociatas pouco claras que nada têm a ver com o sindicalismo.

Acresce que para este tipo de «visitas» à capital muitos dos manifestantes têm de se levantar de madrugada, preparar o farnel e sujeitar-se à canseira de longas horas de viagem, para já não falar do palmilhar rua abaixo e rua acima nas avenidas lisboetas. É claro que certos comentadores da nossa praça têm como adquirido que trabalhador adora levantar cedo e deitar tarde, não perde uma oportunidade para picnicar sandes, cerveja e pastéis de bacalhau, e não desdenha moer o corpo em «passeios», de habituado que está a fazê-lo a trabalhar. Mas ainda assim, convenhamos não ser intelectualmente muito honesto sugerir sequer que o faz como um pau mandado, ainda que com muito e legítimo protesto atravessado na garganta.

Importa dizer, em abono da verdade, que os recados de Soares ao PS estão dificultados de há muito pela arrogância autista de Sócrates, que ainda esta semana escolheu a reunião da Tendência Sindical Socialista – onde João Proença foi mais uma vez escolhido como «candidato» a secretário-geral da UGT –, para zurzir nos sindicatos da CGTP-IN, que por acaso até são a maioria em Portugal, e perorar sobre «o sindicalismo livre de influências e agendas partidárias» de que a UGT seria o paradigma. Seria risota de ir às lágrimas se não fosse trágico. Perante tal fenómeno, Soares terá de se esforçar muito mais, faça chuva ou faça sol, para não de se confrontar com mais megavisitas.
  • Anabela Fino


terça-feira, 17 de março de 2009





13 de Março, vitória dos trabalhadores


Os trabalhadores portugueses realizaram na sexta-feira 13 de Março de 2009 uma das suas mais grandiosas jornadas de luta, provavelmente a maior das últimas décadas.Respondendo à convocatória da CGTP-IN uma multidão de mais de 200 mil trabalhadores, vindos de todas as regiões do continente, trabalhadores das mais diversas profissões e ramos de actividade, operários, trabalhadores dos serviços, intelectuais e quadros técnicos, homens, mulheres e jovens, encheu o centro de Lisboa numa magnífica afirmação de combatividade, consciência determinação colectiva.


O significado desta manifestação é inequívoco. Ela representa uma resposta arrasadora às tentativas do Governo e do grande patronado de apontar a crise internacional como única responsável pelo brutal agravamento das condições de vida e de trabalho, de fazer cair sobre os trabalhadores todos os seus custos e consequências, de justificar com a crise uma nova escalada de arbitrariedades, de precarização e ataque a direitos, uma nova vaga de despedimentos. Meses de barragem propagandística e ideológica caíram por terra.

O penoso quotidiano actual dos trabalhadores portugueses não resulta da recente eclosão de uma profunda crise, ainda em desenvolvimento, que afecta todo o sistema capitalista. Resulta fundamentalmente de mais de três décadas de políticas de direita ao serviço dos interesses de uma insignificante minoria de poderosos exploradores. Políticas que sacrificam aos interesses de meia dúzia de grandes grupos económicos direitos históricos duramente conquistados pelos trabalhadores e pelas populações, perspectivas de desenvolvimento independente do país, o horizonte de progresso que Abril abriu e o Constituição da República ainda consagra.

O dia 13 de Março mostrou com toda a força que o mundo do trabalho em Portugal está longe de aceitar conformar-se com tais políticas, que as rejeita, que aspira a romper com este rumo e que lutará por essa ruptura.

A jornada de 13 de Março constitui uma grande vitória popular.E uma grande derrota para o Governo Sócrates e para os interesses que obstinada e cegamente continua a defender.

O Estatuto Alcavalatório


A frase, na boca de Edite Estrela, fez-me soar campainhas de alarme, por estranha e desfasada da prática política da Sra. e do Partido que representa: «A Trabalho Igual, Salário Igual!». Sempre unidos nestas questões, de imediato vejo Carlos Coelho do PSD falar da luta contra a desigualdade e as discriminações salariais no plano europeu. O mundo só voltou a fazer sentido quando percebi do que estavam a falar! Do aumento do SEU ordenado em mais de 100%! Assim, os eurodeputados portugueses passam a receber 7665 Euros por mês (em vez dos 3815 mensais actuais) mais uma ajuda de custo de 287 Euros POR DIA, mais todo um conjunto de alcavalas. E para engordar OS SEUS BOLSOS já encontram utilidade a princípios que negam aos trabalhadores portugueses e europeus TODOS OS DIAS!

Estes senhores acham-se no direito de receber POR DIA mais que o Salário Mínimo Nacional! Acham que a quantia com que condenam famílias inteiras a sobreviver todo um mês não é suficiente para se remunerarem por um dia de presença no Parlamento! São bem o espelho da classe parasitária que servilmente representam: a burguesia. A mesma burguesia que vive faustosamente enquanto vai debitando a cassete dos sacrifícios... mas só para quem trabalha!

O PCP, ao votar contra esta vergonha no Parlamento Europeu, honrou as suas origens, que remontam aos Communards de Paris e aos Bolcheviques da Rússia Soviética, quando impuseram como característica do seu Estado proletário que os eleitos fossem remunerados com o salário médio de um operário.

A bem do rigor, importa deixar dito que o PCP votou contra este Estatuto TAMBÉM porque é da opinião que os eurodeputados devem receber o mesmo ordenado que os deputados dos Parlamentos Nacionais, princípio que o novo Estatuto Remuneratório dos Eurodeputados substitui por um salário de 7665 Euros igual para todos.
  • Manuel Gouveia




domingo, 15 de março de 2009


Como o azeite

No programa Negócios da Semana de 6.ª feira passada, a SIC-Notícias entrevistou Alexandre Soares Santos, presidente do Conselho de Administração do grupo Jerónimo Martins. O motivo imediato foi a abertura do milésimo supermercado Biedronka, na Polónia, naquele que é considerado um dos maiores investimentos de capital português no estrangeiro. Por cá, a Jerónimo Martins é conhecida por ser proprietária das cadeias Pingo Doce, Feira Nova e Recheio, além de significativas participações noutros grupos e investimentos. Além de, claro, ter voltado a bater recordes nos lucros de 2008.

Em pouco mais de 45 minutos de entrevista, Soares Santos pronuncia-se sobre tudo – do Estado à agricultura, defendendo o «direito ao trabalho» em vez do «direito ao emprego», entre outras pérolas.

Mas é sobre «a política» que Soares Santos mais se solta e brilha: espera que das próximas eleições legislativas saia uma maioria absoluta «seja de quem for. Só espero que não seja da esquerda. A partir do PS, perfeitamente.» Diz-se incomodado com a «esquerda retrógada», que quer impor por cá os «regimes que caíram no Leste»: «ainda no outro dia ouvi um político a falar do capital como se fossem uns malandros que tudo estragam e nada estão a fazer. Esquecem-se que 25 de Abril houve um, não dois. A iniciativa privada não tem de aturar isto e, se assim for, passem muito bem que nós temos para onde ir». E acrescenta que o que faz falta é «criar na iniciativa privada a confiança que foi perdida com o 25 de Abril» e reconquistada com o primeiro governo de Mário Soares.

Diz o nosso povo que a verdade é como o azeite, por vir sempre ao de cima. Mas tanta sinceridade até espanta e dá vontade de gravar a entrevista para explicar melhor aos incrédulos três coisinhas muito importantes: até que ponto se identificam os objectivos do PS com os dos grandes grupos económicos; o quanto foram profundas as conquistas de Abril para, 35 anos depois, esta gente ainda andar a recuperar; e que é do PCP que têm medo – da sua firme opção de classe, do seu enraizamento, da luta de massas, da determinação em romper com a política de direita.

  • Margarida Botelho

quarta-feira, 11 de março de 2009

LISBOA AQUI TÃO PERTO!

PARTICIPA! NÃO FALTES!



TRAZ UM AMIGO TAMBÉM!


sexta-feira, 6 de março de 2009

88 ANOS- PARABÉNS

PCP


quinta-feira, 5 de março de 2009


Ser Vanguarda há 88 anos


Afirma o Manifesto Comunista que «os comunistas são, no movimento presente, o futuro do movimento». Esta primeira definição do papel de vanguarda dos comunistas mantém-se de uma pujante actualidade. A vanguarda não se define pela simples (ainda que vigorosa) afirmação do Objectivo, numa mera oposição ao reformismo bernsteiniano de «O Movimento é tudo, o Objectivo é nada». A superação revolucionária do capitalismo, razão de ser do PCP, é uma necessidade objectiva que nasce das próprias contradições do sistema e só se afirma na luta de classes.

Na Revolução de Abril, as mais avançadas soluções foram impostas pelo povo em luta e preparadas na luta ao longo de dezenas de anos. A solidez dessas conquistas foi tal que, ao fim de 33 anos de governos contra-revolucionários, as classes exploradoras não conseguiram ainda destruir todas as conquistas de Abril. Da mesma forma, a luta em defesa dessas conquistas e de resistência à reconstrução do capitalismo monopolista de Estado e dos privilégios da burguesia, que leva já 33 anos e prossegue, não pode ser separada da luta que coloca a necessidade objectiva de uma ruptura democrática, que devolva ao povo o poder entretanto usurpado pela burguesia, e permita a construção de um Portugal próspero e independente.

Quando afirmamos que «resistir é já vencer» não o fazemos porque a mera resistência nos deixe qualquer sensação de «dever cumprido». Espelhamos, isso sim, a plena compreensão dos dias de hoje: a resistência organizada dos trabalhadores e do nosso povo não é a resposta automática a cada ofensiva dos exploradores (seja o encerramento de uma fábrica, de um centro de saúde, a destruição de um AE, a imposição de uma redução real de salários, etc.).

Essa resistência, verifique-se ela onde se verificar, é já uma vitória; mas essa vitória de resistir hoje é parte decisiva de um processo mais vasto, de acumulação de forças no quadro da luta de classes, de um rumo que conduzirá os trabalhadores portugueses à Vitória.Por essa vitória, nos organizamos há 88 anos em Partido e, como Partido, intervimos na luta.


  • Manuel Gouveia
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