ESTAMOS EM ABRIL
LEMBREI-ME DO SAMUEL
terça-feira, 14 de abril de 2009
segunda-feira, 13 de abril de 2009
O Obama é do Soares
«Um mundo em mudança» é o título de um livro no qual Mário Soares reincide na publicação de alguns dos artigos que tem vindo a dar à luz em vários jornais – um livro sobre o qual deu caudalosa e garrida entrevista ao Semanário Económico e para cuja capa chamou Obama, mais o seu sorriso, a par do foto também sorridente do autor reincidente.
«Um mundo em mudança» é o título de um livro no qual Mário Soares reincide na publicação de alguns dos artigos que tem vindo a dar à luz em vários jornais – um livro sobre o qual deu caudalosa e garrida entrevista ao Semanário Económico e para cuja capa chamou Obama, mais o seu sorriso, a par do foto também sorridente do autor reincidente.
A «mudança», obviamente, é Obama e a «nova era» por este iniciada: «nova era» que, assim espera e confia Soares, virá salvar o capitalismo da mais grave e profunda de todas as suas crises.
«Salvar», não, corrige o entrevistado: «o capitalismo não tem que ser salvo», porque, se é verdade que «o capitalismo de casino está morto, o capitalismo em geral não está», graças a Deus.
Assim sendo, o capitalismo tem é que «ser corrigido com princípios éticos», após o que ficará como novo e pronto para as curvas, ou seja, pronto para explorar eticamente – que é a forma democrática de explorar.
Sobretudo, adverte, e essa é, para ele, a questão essencial, não venham para cá com ideias de «voltar ao comunismo puro e duro»: o comunismo morreu, implodiu: «voltar às ideias de Marx», sim senhor, «mas não lido pela cartilha leninista, estalinista ou maoista» - porque, explica Soares, «Marx e Engels eram socialistas» e, por isso, «estamos a voltar a algumas das suas ideias, sobretudo quanto à análise que fizeram do capitalismo». Análise que, de acordo com a peculiar leitura que dela faz o marxista Soares, conduz à exigência de que «o capitalismo seja corrigido»…
Por tudo isto, é em Obama – outro marxista - que ele, Soares, deposita todas as suas esperanças de correcção ética do capitalismo.
E tão longe leva a sua fé em Obama que o trata como se fosse seu - seu e de mais ninguém. Daí a irritação que lhe causam os elogios despejados por Durão Barroso sobre o Presidente dos EUA - esse Barroso da Cimeira da Vergonha, que foi só elogios e sorrisos para o Bush, não tem legitimidade para vir, agora, elogiar e sorrir para Obama.
Legitimidade tem, isso sim, Soares, que sempre criticou o Bush e sempre elogiou quem o merecia: agora, Obama e, antes, Clinton, por exemplo. Para não falar do Carlucci...
- José Casanova
quarta-feira, 8 de abril de 2009

NATO e G20, maus sinais num cenário de crise
1- Os 60 anos da NATO não constituem motivo para comemoração. As seis décadas de existência desta organização político-militar configuram uma história de constantes ameaças à paz, de ingerências e agressões imperialistas, de crimes de guerra, de ofensas à soberania e ao direito dos povos à emancipação social e nacional.
Que Portugal esteja associado com o nome de Salazar à sua fundação e que - em confronto com a Constituição de Abril - sucessivos governos do regime democrático tenham continuado a prestar vassalagem a tal organização constituem motivo, não de festejo, mas de condenação nacional.
2- Esta organização é hoje, mais do que nunca, uma ameaça contra a humanidade. Num quadro de profunda crise do sistema capitalista, as ambições deste seu braço armado (nomeadamente o que se adivinha do “novo conceito estratégico” em discussão), os projectos de prosseguimento escalada militar a Leste, no Iraque, no Paquistão e no Afeganistão, o alargamento da acção no Atlântico Sul e em África, constituem outros tantos passos no sentido de uma ameaça global de enorme risco. A presença servil de José Sócrates na Cimeira da NATO, a sua imediata disponibilidade para ceder às exigências norte-americanas de participação acrescida na escalada em curso no Afeganistão constituem uma nova confirmação do crescente carácter anti-nacional de que a política de direita hoje se reveste.
3- O facto de esta Cimeira se ter realizado praticamente no seguimento da reunião do G20 tem a vantagem de associar com clareza as duas ameaças que hoje ensombram o conjunto da humanidade: a catástrofe económica, social e ambiental para a qual o capitalismo globalizado conduz, por um lado, e, por outro, o imenso e inumano potencial militar de que dispõe para tentar prosseguir e impor o seu domínio explorador, opressor e devastador. Uma organização tão insuspeita como a OCDE publicou nas vésperas da reunião do G20 uma caracterização duríssima da situação actual: “a economia mundial encontra-se no meio da mais profunda e sincronizada recessão do nosso tempo, provocada por uma crise financeira global e agravada por um colapso no comércio mundial”. “No conjunto dos 30 países membros da organização a previsão do aumento do desemprego é de mais 25 milhões de desempregados”.
4- As conclusões da reunião do G20, se traduzem alguma coisa, traduzem sobretudo as contradições internas entre as maiores potências capitalistas que o integram. Mas traduzem igualmente o esgotamento das soluções que têm a apresentar, a repetição das fórmulas e das soluções institucionais que são parte do problema, como o FMI, o cinismo com que esperam fazer cair os efeitos da crise sobre os povos e os trabalhadores em particular.
5- Uma outra organização igualmente insuspeita, a OXFAM, dirigiu ao G20 uma violenta denúncia: só os 175 mil milhões de dólares que o Governo dos EUA empregou no resgate da seguradora AIG representam uma vez e meia o total dos fundos que o conjunto dos países do G8 destinam anualmente ao apoio ao desenvolvimento. Os 8,42 biliões de dólares gastos no resgate de bancos e seguradoras falidas seriam suficientes para pôr fim à extrema pobreza durante 50 anos. Dificilmente poderia ter-se um retrato mais vivo da natureza actual do capitalismo.
6- É neste quadro de profunda crise, de gritantes injustiças, de fortíssimas ameaças que hoje nos encontramos. Os perigos são enormes. Mas a história é, em última instância, escrita pelos povos. Queiram ou não o imperialismo e a NATO.
- Editores
terça-feira, 7 de abril de 2009
Na sua introdução às notas sobre Darwin escritas por Álvaro Cunhal na cadeia em 1951, no ano das comemorações dos 200 anos de nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação do seu livro A Origem das Espécies, André Levy vem testemunhar que Álvaro Cunhal, “Além das qualidades exemplares como organizador e dirigente político, como teórico marxista-leninista e analista da situação concreta portuguesa, nas suas múltiplas vertentes (económica, social e política), exprimiu também as suas qualidades humanas através da produção artística, como são exemplos a sua arte plástica e escrita criativa.” André Levy*
As notas sobre a obra de Darwin, republicadas no Avante!, são mais uma pequena ilustração de um facto incontestável: Álvaro Cunhal foi um notável intelectual. Além das qualidades exemplares como organizador e dirigente político, como teórico marxista-leninista e analista da situação concreta portuguesa, nas suas múltiplas vertentes (económica, social e política), exprimiu também as suas qualidades humanas através da produção artística, como são exemplos a sua arte plástica e escrita criativa. Apesar das suas raízes familiares burguesas e sua formação académica em Direito, enquanto militante do PCP (a partir de 1931, com 17 anos) aprofundou uma ligação estreita com os trabalhadores e o povo português, condição indispensável para conhecer as carências e aspirações mais profundas do nosso povo, o que veio a justificar inteiramente a sua auto-caracterização, em 1950, durante o seu julgamento perante o tribunal plenário, como «filho adoptivo da classe operária».
segunda-feira, 6 de abril de 2009
As dores do PS
Dias a fio, em jeito de confissão antecipada de uma derrota anunciada, como se pressentisse já onde mais lhe dói, PS e respectivo candidato insistiram na professoral argumentação em torno do que designam de desnacionalização do voto para as europeias. E, se na boca destes, a ideia seria de que em Junho se abriria um parêntesis para onde se varreria tudo o que hoje verdadeiramente pesa na vida dos portugueses, bem se pode dizer que pela boca acabará por morrer o peixe. Mesmo que à pressa venham agora desdizer o que até domingo haviam dito.
Percebe-se que aqueles que se apressaram a desvalorizar os resultados dos referendos na Irlanda ou em França sobre o Tratado Europeu com base em que o que aí foi julgado pelos eleitores foi, não o modelo europeu e o Tratado, mas sim as políticas internas desses mesmos países, vejam agora o prenúncio de uma derrota. Com a curiosa particularidade de, a confirmar-se, essa derrota constituir em si mesmo, pela boca dos próprios, seja à luz da velha ou da nova argumentação, uma clara condenação à política do Governo e às suas consequências.
Sobrará sempre a legitima suspeita de que a cambalhota do discurso se destine a atenuar o mistério sobre as razões que levavam quem, querendo sacudir qualquer relação entre os resultados de 7 de Junho e a sua acção no Governo, tem no terreno um uso despudorado de meios e recursos públicos destinados a comprar votos e a manter dependências de que a vertiginosa passagem de ministros, secretários de Estado e governadores civis carregados de promessas e alguns cheques é testemunho.
De um modo ou de outro, só ganha actualidade e importância, fazendo mossa onde mais lhes doerá, insistir na relação entre o sentido do voto em 7 de Junho e o juízo concreto que os eleitores não deixarão de fazer em função da situação, problemas e inquietações que resultam da política do Governo, da insistência de que por esta mesma razão 7 de Junho é uma oportunidade, não apenas para nesse momento penalizar esta política, mas sobretudo para criar condições para essa mesma condenação ser confirmada nas legislativas. Ou seja, mais do que um «sinal» difuso, os resultados de 7 de Junho têm de ser uma primeira expressão de uma clara opção de ruptura com a política de direita que o país reclama.
- Jorge Cordeiro
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Critérios...
A CDU apresentou, na segunda-feira passada, a sua lista para as eleições do Parlamento Europeu. Foi a primeira das forças concorrentes a fazê-lo – e já assim acontecera em relação ao anúncio do primeiro nome da lista, Ilda Figueiredo.Num caso e noutro, os media dominantes primaram pelo (quase) silenciamento – à semelhança do que têm vindo a fazer no que respeita à intensa intervenção de Ilda Figueiredo.
Já no que respeita aos primeiros candidatos do BE e do PS, esses media têm-lhes dedicado tempo e espaço à labúrdia. Mostram os factos que, por parte dos media, as notícias sobre a intervenção dos três cabeças de lista até agora anunciados, assenta no pragmatíssimo critério de ignorar a candidata da CDU (e as inúmeras iniciativas em que participa) e de anunciar com luzido foguetório eleitoralista tudo o que fazem, e sobretudo o que não fazem, os candidatos do BE e do PS. Ou seja: silenciamento dos que, lá como cá, são os que mais trabalham; e projecção às alturas dos que, lá como cá, são os que mais descansam...
Mas o critério vai mais longe: entre esses jornais que silenciam cirurgicamente a actividade da candidata da CDU, alguns há que, provavelmente para preencherem o espaço previsto para as campanhas eleitorais, se entregam à curiosa tarefa de noticiar o não-acontecido... É o caso, por exemplo, do Diário de Notícias que, há dias, gastou quase meia página a informar que o CDS/PP apresentará o seu cabeça de lista... na Páscoa – e que, reincidente, divulgou, na sua edição de 31 de Março, com destaque de primeira página, a relevante notícia segundo a qual o nome de uma determinada pessoa «ainda está na short-list do PSD»...
Foi este mesmo DN, registe-se, que nem uma linha dedicou à apresentação da candidatura de Ilda Figueiredo e que, de então para cá, dedicou uma dúzia de linhas, se tanto, às dezenas de iniciativas protagonizadas pela candidata da CDU.O mesmo DN, aliás, que acaba de informar – também com chamada primeira página – que «Ferreira Torres já arrancou com a campanha» - deixando-nos na dúvida sobre quem é que, de facto, «arrancou com a campanha»: se Ferreira Torres, se o DN, se ambos...
- José Casanova
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