quarta-feira, 6 de maio de 2009


trinta mil saudam Pete Seeger

O 90º. Aniversário Pete Seeger foi assinalado no domingo com um grande concerto em Nova Yorque.


Foi negado o visto de entrada nos EUA, ao Trovador Silvio Rodriguez para estar na festa dos seus 90 anos


segunda-feira, 4 de maio de 2009

1º de Maio Grandiosos protestos contra a Politica do Governo

1- As comemorações do 1º de Maio juntaram em todo o país centenas de milhares de manifestantes. Quatro traços comuns fundamentais marcaram as manifestações e concentrações realizadas: a impressionante mobilização unida de trabalhadores de todos os sectores de actividade, a forte presença de jovens, a denúncia e recusa das políticas de direita, a reivindicação de uma mudança de rumo para o país.

2- O contexto em que este 1º de Maio se realiza justifica apreensão, em particular no que diz respeito à gravidade da evolução da situação social: com o crescimento do desemprego, acelerado pela desfaçatez com que o patronato - com a conivência do Governo - usa e abusa do lay-off. Com a forma como o patronato invoca a ”crise” para novos encerramentos de empresas, novos ataques a direitos dos trabalhadores, novas tentativas de redução de salários e de completa desregulação dos horários de trabalho. Com a forma como o Governo, que desencanta milhões para acudir aos bancos e para acções de propaganda, adopta tardias e insignificantes medidas de apoio social. Alastram situações de extrema penúria para os trabalhadores e as famílias, em cada vez mais casos sem recursos para fazer face a necessidades básicas do dia-a-dia.

3- Mas o ambiente deste 1º de Maio não foi nem de desmobilização nem de desânimo. Foi, pelo contrário, de grande e combativa consciência de que esta situação não constitui uma fatalidade, de que há quem seja responsável pelas políticas que a ela conduziram, de que tem solução e saída na ruptura com essas políticas. É nesses termos que o 1º de Maio de 2009 se insere nas complexas batalhas políticas e sociais do ano em curso.

4- Três provocações são sintomáticas do ambiente em que estas batalhas se travam. Uma é a escolha deste dia para um canal de televisão passar um documentário de evocação elogiosa de Marcelo Caetano.

5- Outra é o facto de a UGT, braço “sindical” do patronato e da política de direita, ter aproveitado a véspera do 1º de Maio para uma acção organizada de remoção e destruição de materiais de propaganda de uma força política, a CDU.

6- Outra provocação ainda é a forma soez como o PS procurou tirar proveito da lamentável recepção hostil que o seu candidato Vital Moreira recebeu de alguns dos trabalhadores concentrados no Martim Moniz. O insulto não deve ser tolerado como arma política. Mas muito pior do que a atitude de quem vaiou Vital Moreira é a reacção do PS, que encontra nesse incidente motivo para um miserável ataque contra a CGTP e o PCP, procurando responsabilizá-los por um estado de espírito que, no fim de contas, tem nas políticas do Governo Sócrates a principal causa.

7- Estas provocações são o que são e valem o que valem. Não podem, em nenhum caso, ensombrar aquilo que o 1º de Maio reafirmou: a luta continua, e não são os trabalhadores quem, no momento actual, está na defensiva.
  • Os Editores de odiario.info

domingo, 3 de maio de 2009


E não se pode trincá-lo?

Quem tem um Magalhães tem tudo, quem não tem Magalhães não tem nada. Melhor dizendo, não é nada. É assim uma espécie de parasita, de marginal, de zombi que só por acidente será capaz de alinhavar duas frases seguidas, juntar um par de números ou olhar para o mundo com compreensão distinta da de boi para palácio, como soe dizer-se. Essa é pelo menos a conclusão que se pode tirar da entusiástica intervenção do expert em tecnologias da informação, autor e homem de negócios canadiano Don Tapscott, que a semana passada esteve em Portugal a participar no Fórum Mundial das Telecomunicações.

Tapscott ficou maravilhado por verificar que as escolas portuguesas – ou pelo menos as salas de aula que teve oportunidade de visitar, o que não é exactamente a mesma coisa – estão em sintonia com as suas teses, pelo que não hesita em dizer que Portugal está bem lançado no caminho do futuro.

Lançado devia estar Tapscott, e não seria pouco, quando no supra citado Fórum, segundo reza o JN de segunda-feira, 27, afirmou que o «programa Magalhães é a mais sofisticada e avançada implementação das tecnologias de informação em educação no Mundo» e que «não há nada mais importante para um país, neste momento da História, do que dar às suas crianças o seu direito de nascença que é ter acesso a um novo meio de comunicação que melhora a sua aprendizagem e experiência humana (sublinhados nossos)».

Esqueçam as botinhas de lã, os casaquinhos, as fraldas, o leite, as papas, a sopa, a casa confortável, as vacinas, o pediatra, os brinquedos, o pai e a mãe, o avô e a avó; tudo isso não passa de lixo arqueológico a cair da tripeça. O que as crianças precisam de ter garantido à nascença é um Magalhães (a JP Sá Couto agradece...) para garantir o futuro.

E já agora, se tiverem o azar de fazer parte dos mais de dois milhões de portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza, não desesperem. Com um pouco mais de fome e até o Magalhães parece um menu light da McDonald's.

Para que conste, não tenho nada contra as tecnologias da informação e acho que a existência de computadores na escola é evidentemente uma mais-valia. Mas se é para tamanha demagogia, mais valia meterem o Magalhães no saco.
  • Anabela Fino

quinta-feira, 30 de abril de 2009


UGT na rua

À semelhança do ano passado, a UGT vai aproveitar o 1.º de Maio para regressar à rua - mas almoçando primeiro, que não temos ali gente que lute de barriga vazia. Para tal, um convite aos associados recordava que «as inscrições para o almoço devem ser feitas, impreterivelmente, até às 17.00 do dia 24 de Abril, indicando o número de acompanhantes (sem limite), para que seja possível calcular o número de presenças e organizar tudo em conformidade».

«Em conformidade» significa contar os talheres a pôr na mesa do repasto e providenciar a confecção, problema que, naturalmente, só poderá decidir-se com uma ideia antecipada dos convivas a acolher. É essa, aliás, a única e grande incógnita da operação, agravada pela prodigalidade de convidar acompanhantes «sem limite» - isto, obviamente, não vá o diabo tecê-las e não haver sócios que cheguem para compor a mesa.

Seja como for, o que de certeza não será problema é o dinheiro a pagar pela festança, dado serem os três Sindicatos dos Bancários a pagar a conta. Se não é uma atitude «à bancário», será pelo menos um gesto à banqueiro, valha-lhes isso.

Acrescente-se que o almoço terá lugar nas instalações do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI), «onde aos sócios do SBSI se juntará cerca de um milhar de colegas dos Sindicatos do Norte e do Centro, e ainda dos Sindicatos dos Seguros», posto o que marcharão a caminho dos Restauradores, ajudando simultaneamente a digestão e a luta contra a crise.

Supomos que, nestas contas, os famosos «acompanhantes» valerão tanto como os sócios, pelo menos a fazer número, que é o que importa. E agora digam lá que a UGT não é mesmo um brinquinho, nestes banhos democráticos.

Com tudo isto, a supracitada proclama que «Vamos encher os Restauradores!», onde «a Central Sindical e os Sindicatos nela filiados vão pugnar por medidas de combate à crise e reivindicar a manutenção do emprego, o reforço da negociação colectiva e o fim dos off-shores».

Já é alguma coisa, apesar de as «medidas de combate» por que a UGT diz «pugnar» não terem, como de costume, qualquer medida que se veja.

Seja como for, é curioso este «desfilar na rua» da UGT durante as comemorações do 1.º de Maio, quando já institucionalizara na data, com décadas de prática contínua, umas festividades saracoteadas por «estrelas» pimba contratadas a peso de ouro e animando uma espécie de picnicão ali para os lados da Torre de Belém onde, só por desvairado acaso, as reivindicações laborais ou as lutas sindicais obtinham alguma referência.

Parece que, de repente, a UGT descobriu nas comemorações do 1.º de Maio um tempo de luta que se esforçava por denegrir nos gigantescos desfiles da CGTP-IN, aos quais há décadas contrapunha os tais bailaricos pimba tocados a petisco a que chamava «a festa dos trabalhadores».

Agora já paga almoços aos milhares, para arrebanhar um desfile que pareça uma manifestação.

Manifestamente, neste tempo de crise a UGT quer mostrar-se na rua a lutar pelos trabalhadores.Deve ser para entrar mais facilmente no bolso do patronato. É que com a crise que aí vai, já não será tão simples fazê-lo apenas no recato dos gabinetes.
  • Henrique Custódio



domingo, 26 de abril de 2009

Liberdades de classe




Agora que – com o BE a servir de lebre e a dar as deixas – a necessidade eleitoral leva o PS a mexer na questão (ou, muito provavelmente, a fingir que mexe), a legislação fiscal suscita novamente gritaria do lado da direita”. Filipe Diniz - 26.04.09


Agora que – com o BE a servir de lebre e a dar as deixas – a necessidade eleitoral leva o PS a mexer na questão (ou, muito provavelmente, a fingir que mexe), a legislação fiscal suscita novamente gritaria do lado da direita.
Gritaria que, afinal, não deveria passar de um pró-forma, porque os interesses em causa conhecem de ginjeira o PS.

Sabem, como nós sabemos e o camarada Honório Novo denunciou na AR, que o off-shore da Madeira tem sido intocável para o PS; que o PS tem chumbado sucessivas propostas do PCP no sentido da transparência e informação dos vencimentos individuais dos administradores das empresas cotadas e outras; que o PS tem rejeitado propostas do PCP no sentido do reforço do quadro sancionatório do crime económico; que o PS rejeitou que as burlas e fraudes bancárias (que os casos do BCP e do BPN colocaram mais do que nunca na ordem do dia) passassem a ser punidas com prisão tal como o PCP propõe; que o PS tem rejeitado ao longo dos anos propostas do PCP no sentido da derrogação do sigilo bancário, no sentido da alteração da Lei Geral Tributária permitindo o acesso condicionado da Administração Fiscal às contas bancárias.

O certo é que, pelo sim pelo não, os opinadores de direita lançam o seu fogo de barragem.

Em nome de quê? Pois, como não podia deixar de ser, em nome da «liberdade». Um deles, por exemplo, fala da ameaça da destruição pelo Estado das «mais básicas liberdades».

E o que são essas básicas liberdades? É a liberdade de organização dos trabalhadores nas empresas, hoje quase inteiramente reprimida e negada? É a liberdade de exercer direitos fundamentais, como o direito à greve? É a liberdade sindical? É a liberdade de opinião, que os grandes meios de comunicação social limitam à que agrada aos seus donos, e que Sócrates odeia e persegue judicialmente? É a liberdade de reunião, de associação, de difusão pública das próprias ideias, cada vez mais coarctada no que diz respeito aos trabalhadores e às forças democráticas?

As liberdades que fazem correr estes senhores são outras: a liberdade de enriquecer seja por que meio for, a liberdade de se apropriar da riqueza socialmente criada, a liberdade das classes dominantes exercerem o seu domínio com absoluta impunidade. Liberdades de classe, que são opressão e exploração das classes (ainda) dominadas.

Este texto foi publicado no Avante nº 1.847 de 23 de Abril de 2009

sábado, 25 de abril de 2009

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