quinta-feira, 14 de maio de 2009


Se eles pudessem….


As concepções e práticas antidemocráticas de muitos dos membros do Governo PS, a obstinada perseguição aos comunistas e ao Movimento Sindical Unitário e o desespero provocado pelo protesto e pela luta contra a sua política têm estado na origem de escandalosas e inaceitáveis afirmações e atitudes, reveladoras do conteúdo reaccionário da política que levam por diante contra os trabalhadores, o povo e o País.

Sete dias apenas separam três situações que são em si ilustrativas dos tempos que correm. A primeira que aqui assinalamos registou-se nas comemorações do 1.º de Maio em Coimbra, onde um «graduado» solicitou aos dirigentes da União de Sindicatos presentes no local a cedência da listagem das palavras de ordem a utilizar na referida manifestação, cedência que justamente terá sido recusada, pois, como é evidente, não cabe às forças de segurança qualquer julgamento ou apreciação do conteúdo político de uma manifestação, coisa que é assim no nosso País, desde a Revolução de Abril de 1974.

A segunda, para lembrar as declarações a 6 de Maio do Secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, a propósito do questionamento que realizou sobre a presença de vários dirigentes da FENPROF na lista da CDU ao Parlamento Europeu, bem como da legitimidade das acções de luta previstas pelo movimento sindical docente para o mês de Maio, nomeadamente a manifestação de dia 30. Isto é, considerou-se o governante no direito de negar aos dirigentes sindicais os seus direitos políticos, inclusive o de serem candidatos da CDU, para a seguir procurar atacar por via do anticomunismo a unidade no seio dos professores, coisa que, como tem sido evidente, não conseguiu, nem consegue.

A última, para assinalar a decisão do Tribunal de Guimarães que, no dia 7 de Maio, absolveu – independentemente das considerações e motivações presentes no acórdão – os quatro dirigentes sindicais acusados de «manifestação ilegal», num processo que, apesar da decisão favorável aos trabalhadores, constituía uma clara tentativa de criminalização da luta e de condicionamento da capacidade de acção do movimento sindical unitário.

O que fica claro destes três episódios é que a vontade de liquidar a capacidade de luta e resistência à política de exploração que comanda o País é muita, mas não é maior do que a coragem e a determinação dos homens e mulheres que nos seus locais de trabalho, nas suas empresas, nos seus sindicatos lutam pelos seus direitos enquanto trabalhadores. Entre eles, e por direito próprio, contam-se muitos militantes comunistas cujo papel na defesa desses direitos, na construção da unidade entre os trabalhadores, na elevação da sua consciência política – incluindo na opção de voto - é fundamental. Não tenhamos dúvidas, se eles pudessem….mas não podem!
  • Vasco Cardoso


quarta-feira, 13 de maio de 2009

A pobreza em Portugal
A política de constante baixa dos salários reais dos trabalhadores há muito é defendida pela vintena de economistas que, nas suas passagens de turno pelos diversos cargos do Estado, desde o Banco de Portugal ao Ministério das Finanças, sempre impuseram essa política anti-social, ao mesmo tempo que se brindam com ordenados de milhões de euros anuais e reformas de milhares de euros mensais, independentemente do tempo de desconto. Os resultados estão à vista: 2 milhões de pobres em Portugal, «dos quais 300.00 são crianças, 596.000 são reformados e cerca de 586.000 são trabalhadores por conta de outrem…»


domingo, 10 de maio de 2009


Fabricação

Muita tinta tem corrido a propósito da peregrina ideia da constituição de um «bloco central» no seguimento das próximas eleições legislativas. Tese que tem estado mais ou menos latente nos últimos meses e que foi trazida para o debate público por Cavaco Silva nas comemorações do 35.º aniversário do 25 de Abril e logo secundada por outros, desde o presidente da CIP até ao ex-Presidente da República Jorge Sampaio.

Apresentam-na ao País como se de uma novidade se tratasse e invocam para a sustentar o perigo da «instabilidade política» e das «condições de governabilidade» do próximo executivo para fazer face a uma «situação difícil».

Mais do que um recurso a que o capital terá sempre condições de recorrer para assegurar a continuidade de uma política favorável aos seus interesses de classe – possibilidade que, como é evidente, tem sempre o inconveniente de por a nu o facto de PS e PSD serem as duas faces da mesma moeda - o debate sobre esta questão cumpre naturalmente outros propósitos, seguramente mais imediatos:

Desde logo, a possibilidade que é dada a PS e a PSD para, quando questionados sobre este cenário, logo se demarcarem e cumprirem assim a rábula das grandes “divergências. Oculta que são precisamente estes os responsáveis – PS e PSD, sozinhos, em coligação ou acompanhados pelo CDS - que nos últimos trinta anos impuseram uma política contrária aos interesses dos trabalhadores, do Povo e que conduziram o país a esta situação. Serve para atrair para estes dois partidos o voto de muitos dos que se deixam condicionar pela ideia de que, perante a crise, não há alternativa à actual política de direita justificando a tese de que esta não é altura para grandes mudanças, para opções de ruptura como propõe o PCP.

E por último, vai fazendo caminho (e «cabeças») para uma nova fase de sacrifícios a ser imposta logo após estas eleições, caso vejam alcançados os seus objectivos.As operações e manobras que estão em curso para tentar condicionar a opção de voto de milhões de portugueses nas próximas batalhas eleitorais, estão longe de se esgotarem nesta fabricação. Como vimos nos últimos dias, desde as operações montadas contra o PCP, passando pelas mais impressionantes sondagens, e terminando nas constantes descriminações na comunicação social, tornam mais claro que o objectivo do capital de garantir a continuidade da política de direita é inseparável da tentativa de limitar o crescimento do PCP e da CDU. Mas não há nada, rigorosamente nada, que possa impedir que sejamos construtores do nosso próprio resultado.

  • Vasco Cardoso

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Golpes Baixos


A campanha de provocações e calúnias que se desenvolveu contra o PCP na sequência dos incidentes do Martim Moniz deu largas ao mais primário anticomunismo, que é - invariavelmente como a História o demonstra - expressão concreta de intolerância, sectarismo, tentativa de divisão dos trabalhadores e ataque directo à democracia.

O regozijo pela possibilidade de «bater» no PCP foi evidente nas infindáveis horas de propagação de mentiras em alguns órgãos de comunicação social, com destaque para a RTP, e nas tão provocatórias como ridículas palavras de Vital Moreira reivindicando a «sua Marinha Grande» ou afirmando que «As "brigadas Brejnev" (…) resolveram ontem fazer das suas»(1). José Sócrates também explorou o filão: «Foram os militantes do Partido Comunista que insultaram os dirigentes do PS». «uma vergonha para a democracia», concluía, dando corpo à verborreia de Vital Moreira do «desprezo [do PCP] pela democracia liberal»(2).

Já Miguel Portas, lesto na demarcação, optou por usar o termo «sectarismo» com que invariavelmente brinda as sua «profundas» análises ao PCP para classificar os incidentes, numa clara tentativa de identificação partidária do sucedido. Já Daniel Oliveira, tão destacado membro do Bloco de Esquerda como papagaio do PS, referia no seu Blogue: «este tipo de comportamento (…) corresponde a um ambiente cada vez mais crispado com tudo o que não seja PCP (…). E ele é alimentado por esta direcção do partido, a mais sectária que o PCP teve desde o 25 de Abril(3).Ora, parece agora, que quem chamou traidor a V.M. não foi propriamente um «arruaceiro e sectário comuna».

A frase de D.O. «“Não é por acaso que o insulto que Vital Moreira mais ouviu foi o de “traidor”(4)» adquire neste contexto um especial significado. Esperamos sinceramente que o perceba. Será um primeiro passo na aprendizagem do que é unidade dos trabalhadores e do quanto injustiçados se sentem. E podem D.O., e outros, sossegar. O PCP não usará contra eles os golpes baixos e a «vozearia» de que foi alvo. Apenas continuaremos a exigir o justo e devido pedido de desculpas ao PCP. Caso contrário será «uma vergonha para a democracia» e um profundo sinal de «sectarismo».
_________

(1)http://causa-nossa.blogspot.com/2009/05/diario-de-candidatura-25.html(2) http://causa-nossa.blogspot.com/2009/04/diario-de-candidatura-9.html(3) http://arrastao.org/sem-categoria/o-sectarismo-do-pcp-prejudica-os-trabalhadores/(4) Idem
  • Ângelo Alves

(Des)memória

«Desde 1974, dias depois da Revolução dos Cravos, que o Primeiro de Maio se tornou a festa da fraternidade e da dignificação dos trabalhadores, aberta a todos os que nela queiram participar.» As palavras de Mário Soares, no artigo publicado esta terça-feira, 5 de Maio, no DN, estão longe de fazer jus ao lema que preside ao espaço, a saber, o tempo e a memória. Das duas uma, ou a memória de Soares está (outra vez) muito abalada ou os tempos não estão (se é que alguma vez o estiveram...) para lembrar a verdade dos factos. O motivo da dúvida – meramente metódica, confesso – reside num «pormenor» incontornável, cujo está intimamente ligado aos degradantes incidentes que depois viriam a ocorrer na manifestação do já longínquo 1.º de Maio de 1975.

Nesse ano, Mário Soares recusou-se a participar na «festa da fraternidade», como hoje lhe chama, alegadamente por discordar que, além dos dirigentes sindicais, nela discursasse Vasco Gonçalves, então primeiro-ministro do Governo que ele próprio integrava. A coisa podia ter ficado por aí, mas o que se passou foi completamente diferente. Cedemos a palavra a Soares para que nos conte como foi: «Estragámos a Festa. Entrámos no estádio de roldão, em puro confronto físico, [...] abrindo caminho ao empurrão, ao soco e aos encontrões. [...] Quando lá chegámos [à tribuna] fomos impedidos de entrar por elementos da Intersindical [...]. Impossibilitados de entrar e de usar da palavra» (entrevista concedida em 1995 a Maria João Avillez, depois editada em livro Soares. Ditadura e Revolução, págs 430-431).

A versão dos factos dada em 1975 não foi esta, mas algo muito parecido com o que agora Soares escreveu no DN: «Tentaram, então, evitar a entrada no Estádio Primeiro de Maio aos dirigentes e aos militantes socialistas e impediram que Salgado Zenha e eu próprio, ambos membros do Governo de Vasco Gonçalves, depois de atravessarmos o campo entre encontrões e injúrias, tivéssemos acesso à tribuna dos discursos...»

A discrepância entre as duas versões – uma confessando a provocação e outra assumindo o papel de vítima – é por demais evidente e dispensa comentários. Mas é certamente sintomático que Mário Soares volte ao assunto em 2009 para dizer que «não foi a primeira vez» que a «intolerância» se fez sentir no 1.º de Maio. Não menos sintomático é ainda o facto de Soares, tendo despido a camisola do «puro confronto físico» de 75 e envergado o fato da «tolerância» dos novos tempos, não dedicar uma linha da sua escrita aos que acusam o PCP de instigar «à violência e ao ódio» por não abdicar da justa crítica, condenação e repúdio das políticas de direita impostas (também) pelos que se dizem socialistas.

Já agora, para quem tem memória curta, vale a pena lembrar que o 1.º de Maio é muito mais do que a «festa da fraternidade». É, sobretudo, a festa que celebra a luta de todos os dias e de todos os trabalhadores contra a exploração, pela justiça social, pelo progresso, pela paz. Uma festa como esta celebra-se na rua, na secular convicção de que as ruas são do povo; por isso ninguém está livre de uma ou outra provocação, como às vezes se comprova.

  • Anabela Fino

quarta-feira, 6 de maio de 2009


trinta mil saudam Pete Seeger

O 90º. Aniversário Pete Seeger foi assinalado no domingo com um grande concerto em Nova Yorque.


Foi negado o visto de entrada nos EUA, ao Trovador Silvio Rodriguez para estar na festa dos seus 90 anos


segunda-feira, 4 de maio de 2009

1º de Maio Grandiosos protestos contra a Politica do Governo

1- As comemorações do 1º de Maio juntaram em todo o país centenas de milhares de manifestantes. Quatro traços comuns fundamentais marcaram as manifestações e concentrações realizadas: a impressionante mobilização unida de trabalhadores de todos os sectores de actividade, a forte presença de jovens, a denúncia e recusa das políticas de direita, a reivindicação de uma mudança de rumo para o país.

2- O contexto em que este 1º de Maio se realiza justifica apreensão, em particular no que diz respeito à gravidade da evolução da situação social: com o crescimento do desemprego, acelerado pela desfaçatez com que o patronato - com a conivência do Governo - usa e abusa do lay-off. Com a forma como o patronato invoca a ”crise” para novos encerramentos de empresas, novos ataques a direitos dos trabalhadores, novas tentativas de redução de salários e de completa desregulação dos horários de trabalho. Com a forma como o Governo, que desencanta milhões para acudir aos bancos e para acções de propaganda, adopta tardias e insignificantes medidas de apoio social. Alastram situações de extrema penúria para os trabalhadores e as famílias, em cada vez mais casos sem recursos para fazer face a necessidades básicas do dia-a-dia.

3- Mas o ambiente deste 1º de Maio não foi nem de desmobilização nem de desânimo. Foi, pelo contrário, de grande e combativa consciência de que esta situação não constitui uma fatalidade, de que há quem seja responsável pelas políticas que a ela conduziram, de que tem solução e saída na ruptura com essas políticas. É nesses termos que o 1º de Maio de 2009 se insere nas complexas batalhas políticas e sociais do ano em curso.

4- Três provocações são sintomáticas do ambiente em que estas batalhas se travam. Uma é a escolha deste dia para um canal de televisão passar um documentário de evocação elogiosa de Marcelo Caetano.

5- Outra é o facto de a UGT, braço “sindical” do patronato e da política de direita, ter aproveitado a véspera do 1º de Maio para uma acção organizada de remoção e destruição de materiais de propaganda de uma força política, a CDU.

6- Outra provocação ainda é a forma soez como o PS procurou tirar proveito da lamentável recepção hostil que o seu candidato Vital Moreira recebeu de alguns dos trabalhadores concentrados no Martim Moniz. O insulto não deve ser tolerado como arma política. Mas muito pior do que a atitude de quem vaiou Vital Moreira é a reacção do PS, que encontra nesse incidente motivo para um miserável ataque contra a CGTP e o PCP, procurando responsabilizá-los por um estado de espírito que, no fim de contas, tem nas políticas do Governo Sócrates a principal causa.

7- Estas provocações são o que são e valem o que valem. Não podem, em nenhum caso, ensombrar aquilo que o 1º de Maio reafirmou: a luta continua, e não são os trabalhadores quem, no momento actual, está na defensiva.
  • Os Editores de odiario.info
  • JCP
  • pcp
  • USA
  • USA