quinta-feira, 18 de junho de 2009


Percebe-se



Os média dominantes - propriedade do grande capital - deliraram com o resultado eleitoral do BE. Igual delírio se apossou dos comentadores, analistas e politólogos que, com lugar cativo nesses média, ali exercem a profissão de propagandistas da política de direita.

Percebe-se: sentiram como obra sua a subida eleitoral daquele partido; viram compensados os esforços que, nesse sentido, têm vindo a desenvolver desde há dez anos; verificaram que a intensa intervenção propagandística em favor do BE que levaram a cabo na campanha eleitoral, tinha resultado.

Esses mesmos média e esses mesmos propagandistas – todos ao serviço da política de direita que tão bem serve os interesses do grande capital - ficaram visivelmente desagradados com o resultado obtido pela CDU.

Percebe-se: depois de anos e anos de ataques desenfreados ao PCP; depois de múltiplas proclamações decretando o seu declínio irreversível; depois de sucessivas certidões de óbito autenticando a sua morte e funeral; depois de, na última campanha eleitoral, terem atingido o grau extremo da abjecção no tratamento da CDU; depois de tudo isso, eis que a notável subida eleitoral da CDU, com o espantoso aumento de 70 mil votos, faz em cacos todo o seu incansável trabalho propagandístico e remete-os à fúnebre condição de cangalheiros frustrados, de melancólicos gatos-pingados sem tarefa no horizonte.

Destas duas realidades incontestáveis – o delírio deles com o resultado do BE e a raiva deles com o resultado da CDU – emergem, incontornáveis, duas perguntas: porquê esta simpatia, este carinho, este apoio ao BE, por parte dos média do grande capital e dos seus propagandistas da política de direita?; e: porquê este ódio, esta raiva, este ataque cerrado e sistemático ao PCP e à CDU, por parte desses mesmos média e desses mesmos propagandistas?

As respostas a tais perguntas são óbvias – e conduzem-nos à inevitável conclusão de que os votos obtidos pela CDU são os únicos que, de facto, vêm dar mais força à luta contra a política de direita e por uma política de esquerda.E é isso que, afinal e em síntese, explica a raiva deles face ao resultado da CDU – e o regozijo deles face ao resultado do BE.
  • José Casanova

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Que pouca Vergonha!
Cavaco Silva condecorou, por mérito, a UGT na pessoa do Proença de Carvalho. Quando o Capitalismo recompensa aqueles que deviam representar os trabalhadores e defender os seus direitos contra esse mesmo capitalismo algo está errado.


Nem a árvore, nem a floresta

Para a história destas eleições para o Parlamento Europeu ficará, além do extraordinário resultado da CDU, a determinação com que os principais órgãos de comunicação social se esforçaram por o esconder.

Logo a começar nos comentários da noite eleitoral, em que António Barreto decretou ao mundo o pior resultado, histórico, da CDU, com a SIC a fazer-lhe a decerto involuntária maldade de lhe pôr um gráfico por baixo do queixo com o aumento de votos e percentagem da CDU.

A Antena 1 informou que a CDU foi a força mais votada «no Alentejo» - e quanto ao facto de a CDU ter sido a força mais votada em três distritos, dão-se alvíssaras a quem encontrar melhor.

O DN pôs a fotografia de Jerónimo de Sousa na coluna dos «cinco vencidos», mesmo com o seu jornalista a relatar a subida da CDU. Benemérito, o Público lá reconhece que o «resultado salva a noite do PCP» (embora fique a dúvida: se a noite foi para apurar resultados, o que era suposto ter «salvo a noite do PCP» senão... o resultado?!)

O Correio da Manhã titulava na 2.ª feira a seguir às eleições: «Perder à esquerda», referindo-se à CDU. O desconcerto é total: mas se o CM informa que a CDU teve mais votos, mais percentagem, o melhor resultado desde há 15 anos e ainda lhe atribui forte contribuição para a derrota do PS, então «perder à esquerda» porquê?!

Na mesma página, publica-se um texto de Joana Amaral Dias que atribui o aumento da votação no PCP «ao estado em que se encontra o PS». É a tão velhinha tese que volta ciclicamente a ser repetida em alturas de eleições, na Festa do Avante!, nos aniversários e nos Congressos do Partido e da JCP em que – surpresa! - o PCP continua a existir e a reforçar-se. A tese que atribui essa existência e esse reforço não ao enraízamento, à convicção ou à consciência de milhares de militantes, amigos e eleitores do PCP e da CDU, mas sim ao demérito dos outros partidos, ao atraso do País, ao subdesenvolvimento do povo. Como gostavam que assim fosse, vão repetindo e repetindo, a ver se a realidade desaparece quando abrirem os olhos. Mas ela aí está – a olhos vistos.
  • Margarida Botelho



terça-feira, 9 de junho de 2009

a grande ressaca/ foram 600 mil votos!
imagem do KAOS





terça-feira, 2 de junho de 2009




TCOs portugueses em 2009: 41% deles recebe menos de €600/mês

Eugénio Rosa [*]

RESUMO DESTE ESTUDO


Em 2006, Olivier Blanchard, actual director do FMI, esteve em Portugal e apresentou como "receita" para aumentar a competitividade da economia a redução de 20% nos salários nominais dos trabalhadores portugueses. Desde esse ano, personalidades como Silva Lopes e Vítor Bento, com acesso privilegiado aos media, têm defendido uma "receita" semelhante que, apesar de não ter qualquer novidade, tem sempre grande repercussão mediática. Todos eles manifestam uma ignorância deliberada sobre os níveis salariais em Portugal.


O INE acabou de publicar as Estatísticas do Emprego referentes ao 1º Trimestre de 2009. E anexas a essas estatísticas foram também divulgadas as estruturas salariais dos trabalhadores portugueses por conta de outrem (TCOs) referentes ao 1º Trimestre de 2009. Elas mostram que o modelo de económico português baseado em baixos salários persiste, não tendo registado qualquer alteração significativa nos últimos anos, e que a "teoria" da redução de salários para enfrentar a crise, para além de ser socialmente inaceitável e moralmente injusta, só agravaria ainda mais a grave crise que o País enfrenta.

sexta-feira, 29 de maio de 2009





Tirar «os pés da água»... só para lhes dar um pontapé!



Belmiro de Azevedo brindou-nos com uma síntese de grande importância. Disse o Sr. Eng. que «os empresários têm a obrigação de dizer com clareza o que pensam, os políticos têm de arredondar as afirmações».


E começou a disparar o que pensa: ter um emprego, seja ele qual for e em que condições for, é razão suficiente para os trabalhadores estarem agradecidos; o horário deveria ser anual, e usado a bel-prazer do patrão; trabalho extraordinário sempre que o patrão quiser, mas pago a singelo; as eleições são uma chatice, perturbam a vida das pessoas, e nelas promete-se muito que depois não pode ser cumprido. E para mais não teve tempo, sendo que não é difícil adivinhar o muito mais que lhe entretem as meninges, e que o levaram a afirmar que «Não há emprego para quem quer passar os fins-de-semana com os pés na água.»


Os «políticos» do Sr. Eng. (que ele despreza, como despreza todos os seus empregados, por fielmente que o sirvam), já começaram a «arredondar as afirmações». É ouvi-los, e nenhum repete as frases do Sr. Eng.. Alguns até pelo contrário: quem os ouvir não os leva presos. Mas representada a farsa eleitoral, irão enterrar as promessas e cumprir obedientes a cartilha do Sr. Eng., como sempre fizeram.


Mas então, porque anda chateado o Sr. Eng.? Porque queria viver no fascismo e não vive, vive no Portugal de Abril, com tudo o que conseguimos defender da nossa revolução e o tanto mais que ela aponta para ser (re)conquistado. Porque queria um rebanho de carneiros para explorar e saiu-lhe na rifa um povo que luta e resiste. Porque tem ódio a um só Partido, o PCP, e esse Partido não desaparece nem se verga, antes cresce, reforça-se, ganha confiança. E, parafraseando o Sr. Eng., no dia 7 de Junho, vale a pena não pôr os pés na água. Para defender o direito ao trabalho e ao trabalho com direitos. Para dar um valente pontapé nos belmiros e nos seus «políticos», para dar força ao PCP, à força política que está na vanguarda da luta e da resistência à intensificação da exploração. Para votar CDU, o voto que faz falta a quem trabalha
  • Manuel Gouveia

quinta-feira, 28 de maio de 2009


A «oração de sapiência» do Doutor Belmiro


O engenheiro Belmiro recebeu o título de Doutor Honoris Causa, geralmente atribuído não pelo sucesso de uma carreira académica, mas pelo reconhecimento de méritos noutros domínios. No caso de Belmiro, o título foi recebido por ser rico – mesmo muito rico.

A causa pode não ter muito de honorífico, mas o mérito é inegável.Já em uso da sua nova docência, aproveitou para proferir a primeira lição, com recado para vários destinatários.

Começou por dirigir-se explicitamente ao público trabalhador, a quem deve o prémio. Com a crueza arrogante do self-made man, ensinou não haver agora lugar a reivindicações, porque os tempos são de crise e ter trabalho já é um privilégio... E concluiu, com o fôlego que lhe dá o novo Código do Trabalho, reclamando uma reivindicação, muito legítima essa, e da parte do patronato: a do prolongamento do horário de trabalho, à custa de sábados sem a devida remuneração.
Mas a lição teve mais dois destinatários, esses implícitos.

O primeiro, o Presidente da República, a quem Belmiro veio emendar a recomendação-pedido aos empresários católicos para que evitassem uma grande dependência do poder político. Belmiro veio pôr os pontos nos ii e dizer que a dependência é precisamente a inversa, Sr. Presidente, e se não compreende isso vai ter que escrever cem vezes essa verdade que toda a gente anda farta de saber ...

Dirigiu-se também ao corpo empresarial, contrariando aqueles que pretendem fazer passar a silhueta de um novo capitalismo, decentemente depurado dos seus excessos mais evidentes. Ao seu modo truculento, Belmiro diz-lhes sem rodeios que se deixem de tretas.

O doutor-engenheiro traz à memória o rico burguês que, sem linhagem de raiz, adquire pela vastidão da sua fortuna um título nobiliárquico.

Não precisa dele, mas ...Mas ... numa coisa está ele enganado. Rico e doutorado, sem dúvida, mas com curta visão do mundo. Ele devia saber que o mundo do trabalho tem outros mestres.
  • Aurélio Santos
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