quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Níveis salariais em Portugal:Manipulação da opinião pública




Aproveitando um estudo do Banco de Portugal, a comunicação social portuguesa lançou, no passado mês de Julho, uma concertada operação manipuladora da opinião pública portuguesa, procurando fazer crer que o nível salarial do sector público é superior ao privado.Comparando o incomparável, omitindo informação, retirando frases do contexto, para os jornalistas que se prestaram à manobra valeu tudo. Neste estudo, o autor, Eugénio Rosa desmonta a tramóia.




Resumo


Na semana de 13/17 de Julho de 2009, a Agência Lusa, e depois a maioria dos órgãos de comunicação, incluindo a TV, acabaram por colaborar numa gigantesca operação de manipulação da opinião pública. Para isso, foi utilizado um estudo divulgado no Boletim Económico – Verão de 2009 do Banco de Portugal, que, segundo os autores da notícia, provava que «os funcionários públicos auferem um salário mensal claramente acima dos seus congéneres do sector privado e o diferencial aumentou ao longo do tempo, passando de 50% em 1996 para quase 75% em 2005». Desta forma, ficava justificada a política deste governo contra os «privilegiados» da Administração Pública (uma ajuda para a campanha eleitoral de Sócrates), por um lado, e, por outro lado, preparava-se já a opinião pública para que o futuro governo continuasse a reduzir as condições de vida destes trabalhadores. Uma análise objectiva de todo o estudo do Banco de Portugal, e não apenas de alguns dados retirados do seu contexto, revela que a notícia dada pelos media é falsa.

Eugénio Rosa



sexta-feira, 7 de agosto de 2009


É assim o amor…


No passado Domingo um jornal diário dedicava um terço da sua primeira página a três fotos de Francisco Louçã, Joana Amaral Dias (JAD) e José Sócrates, por esta ordem e da esquerda para a direita – um critério possível, entre outros.

O título – pequeno, porque o destaque era dado às caras – afirmava: «A polémica Bloco-PS continua» (o hífen está lá mesmo, não é da nossa autoria). Na mancha - convenientemente destacada em tom verde velho – citam-se três frases: A do «líder» do BE – como é agora tratado o dirigente da formação política que no passado fez gala em afirmar que não tinha «um líder» – em que Louçã ataca a «credibilidade do governo» por causa deste caso; a da ex-deputada e ex-dirigente, agora «militante de Base do Bloco» - usando a linguagem da própria relativamente a um partido que se afirmou no passado como um «partido-movimento» – em que JAD refere que «a questão está encerrada» e, finalmente, uma frase do primeiro-ministro em que José Sócrates afirma que «Louçã faltou à verdade».

Lemos a «notícia», recorremos à memória, e a pergunta surge de imediato: Porque raio se transforma em acontecimento nacional o facto de alguém do PS ter «sondado» a ex-mandatária para a juventude da candidatura oficial do PS à Presidência da República nas eleições de 2007 para aferir da sua disponibilidade para ser candidata do PS? Dirão alguns: «ela é militante do BE». Pois é, e então? É que quem foi «sondada» foi a militante de um partido que tem na sua Comissão Política um homem que só não «chora» com a demissão de Manuel Pinho porque não calha; um partido cujos autarcas de maior destaque são uma Presidente de Câmara que o BE recebeu de braços abertos para a senhora prosseguir um projecto pessoal que não cabia nesse «retrógrado» hábito de discussão e decisão colectiva da CDU e um vereador que «fazia falta» a Lisboa e que agora não faz falta ao PS porque já lá está; um partido que em distritos de maioria CDU se alia ao PS no mais «puro» anticomunismo; um partido que alterou a sua lista numa Freguesia de Vizela para que um ex-militante do CDS-PP a pudesse encabeçar; um partido que candidata à Câmara Municipal de Ovar o actual vice-presidente eleito pelo Partido Socialista.

De facto não há nada de novo na salganhada entre o PS e o BE. Ambos descredibilizam a política, ambos esgrimem meias verdades, e o povo lá vai vendo as fotos no jornal. É assim o amor…
  • Ângelo Alves


quinta-feira, 6 de agosto de 2009


Duas Crises

“Quando a grande crise económica do capitalismo eclodiu, governos e propagandistas do sistema apressaram-se a despir as camisas que até à véspera envergavam. De grandes arautos do capitalismo selvagem passaram repentinamente a críticos verbais da «ganância», da «cultura de risco», dos «excessos» que, diziam, estavam na raiz do colapso. Em declarações e cimeiras prometeram profundas mudanças. Mas – advertiam – primeiro era preciso travar o descalabro. Muitos milhares de milhões foram entregues pelos estados ao sector financeiro – o principal responsável pelo buraco. E o que mudou?”

Jorge Cadima*

Quando a grande crise económica do capitalismo eclodiu, governos e propagandistas do sistema apressaram-se a despir as camisas que até à véspera envergavam. De grandes arautos do capitalismo selvagem passaram repentinamente a críticos verbais da «ganância», da «cultura de risco», dos «excessos» que, diziam, estavam na raiz do colapso. Em declarações e cimeiras prometeram profundas mudanças. Mas – advertiam – primeiro era preciso travar o descalabro. Muitos milhares de milhões foram entregues pelos estados ao sector financeiro – o principal responsável pelo buraco. E o que mudou?

Uma das maiores instituições financeiras – e também um dos maiores viveiros de governantes – dos EUA é a Goldman Sachs. No ano passado recebeu 10 mil milhões de dólares de dinheiros públicos. Agora, proclama lucros recorde no segundo trimestre de 2009, e decidiu distribuir 6,65 mil milhões de dólares em gratificações aos seus 29 400 funcionários (Bloomberg, 14.7.09). Alguns indivíduos vão meter ao bolso milhões de dólares, só neste trimestre. Escreve a Bloomberg: a Goldman Sachs «está a reverter para um modelo de negócios que os analistas consideraram irremediavelmente falido durante a crise de crédito global», aumentando as suas actividades de risco. Isto é, os multimilionários de Wall Street continuam a fazer o que sempre fizeram – e que disseram ser a causa da crise. Agora tentam-nos fazer crer que a crise está a abrandar. Querem o business as usual. Aliás, para alguns a crise nem chegou a começar. O ex-CEO da Porsche, Wendelin Wiedeking foi despedido depois de uma tentativa fracassada de comprar a Volkswagen, que deixou a Porsche com uma dívida de 10 mil milhões de euros. Mas na despedida Wiedeking recebeu uma compensação de 50 milhões de euros (Bloomberg, 23.7.09), sem contar com a remuneração de 77 milhões de euros que recebera no ano anterior, quando andava entretido a afundar a Porsche. Vários grandes bancos estão a aumentar os salários dos seus quadros dirigentes (Financial Times, 24.7.09). São factos para recordar quando vierem com a cantiga de que «todos temos que aceitar sacrifícios para sair da crise».

Se a «ganância» e os «excessos» do grande capital continuam de boa saúde, para o resto da Humanidade a situação é bem diferente. Milhões de trabalhadores já ficaram sem trabalho e estão a cair na miséria. A taxa oficial de desemprego nos EUA aproxima-se dos 10%, mas uma medida mais real e menos manipulada (a “taxa U6”) ascendia em Junho a 16,5% (Bureau of Labor Statistics, www.bls.gov). O patronato e governos dos grandes países capitalistas estão lançados numa ofensiva para aumentar a exploração de quem ainda trabalha. O grande capital nunca acreditou no «fim da luta de classes». Há uma crise para o grande capital e outra para os trabalhadores. Nos EUA foi decretada a falência da General Motors. Essa falência só durou 40 dias, após os quais os trabalhadores bem podiam falar num «11 de Setembro»: até 2011 serão encerradas 11 fábricas, até ao final deste ano o número de trabalhadores vai baixar de 91 mil para 67 mil; os que ficaram viram as suas remunerações drasticamente reduzidas. As greves estão proibidas (Workers' World, 17.7.09). Um desastre parecido ocorreu em Abril na Chrysler, que decretou a bancarrota apesar dos trabalhadores aceitarem todas as concessões que lhes foram exigidas para evitar a falência (Avante!, 21.5.09). Factos para recordar quando vierem com a calúnia de que em Portugal as fábricas fecham por culpa da «intransigência do PCP».

A crise mundial do capitalismo está longe do fim. Em última análise, é uma enorme crise de sobreprodução. Forças produtivas imensas terão de ser destruídas. Mas ao destruir o poder de compra de quem trabalha, também se aprofunda a crise. Os efeitos da crise vão continuar a devastar a vida de muitos milhões de seres humanos. O défice orçamental dos EUA vai atingir este ano uns estonteantes 1,8 milhões de milhões («triliões») de dólares, e a dívida pública total está em cerca de 11,5 milhões de milhões (Bloomberg, 13.7.09). Quem vai pagar esta factura? A palavra de ordem do grande capital é: «A pilhagem continua! Os trabalhadores que paguem a crise!». Mas a crise económica e social já está a desencadear resistência e luta. Em que os partidos de classe dos trabalhadores são chamados a desempenhar um papel fulcral. É por isso que os nostálgicos do fascismo e do anticomunismo violento estão de novo a sair das sarjetas. *

  • Jorge Cadima é Professor da Universidade Técnica de Lisboa e analista de política internacional

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O PLANTEL MAIS CARO DE PORTUGAL

GASTA INCOMPARAVELMENTE MAIS,
SÓ FAZ DISPARATES,
E NINGUÉM OS QUER, NEM OFERECIDOS...

A invasão militar gringa

1- A autorização presidencial para instalar cinco novas bases militares estado-unidenses no território colombiano é um acto de alta traição à pátria, uma afronta à dignidade nacional e à memória de todos os mártires do exército libertador de Bolívar que deram a sua vida lutando contra o jugo do império colonial e pela independência.


2- Depois do rotundo fracasso do Plano Colômbia e do acrescido sentimento anticolonial que percorre a América Latina, não há dúvida que esta nova etapa da invasão gringa tem como objectivo principal a insurgência revolucionária, ao mesmo tempo que constitui uma cabeça de ponte de uma guerra – dirigida a partir de Washington – contra governos, países e povos irmãos que lutam consequentemente por um desenvolvimento soberano e pela integração latino-americana.

3- Os anúncios sobre a escalada da invasão norte-americana à Colômbia fazem-se em meio a novos escândalos de corrupção praticados pelo bando uribista a partir do Palácio Nariño, corrupções que envergonham o país perante o mundo e que encherão de raiva e indignidade as futuras gerações pelo seu ânimo sanguinário, pelo cinismo, pela avareza e pela impudência que caracterizam a máfia que hoje governa o país.

4- Como nova cortina de fumo e procurando agredir o senhor presidente do Equador, Rafael Correa, Washington e Bogotá manipularam um vídeo das FARC retirando o documento do seu contexto. Negamos categoricamente haver entregue dinheiro a qualquer campanha eleitoral de qualquer país vizinho.

5- A nossa decisão de luta por uma paz democrática e pela Nova Colômbia está mais alta do que nunca. O povo da Colômbia e de toda a América Latina e do Caribe saberá responder, como evidencia a nossa história, a esta nova agressão do império do norte e dos seus cipaios. A Pátria respeita-se, fora ianques da Colômbia!

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP Montanhas da Colômbia,
25 de Julho de 2009

quinta-feira, 30 de julho de 2009


O bons espíritos encontram-se sempre


O ex-ministro Manuel Pinho foi alvo de mais uma homenagem – desta vez por iniciativa de uma centena de empresários que louvaram os excelentes serviços por ele prestados enquanto sobraçou a pasta da Economia.

Esta foi a segunda homenagem a Manuel Pinho, desde que este, por razões de todos conhecidas, se demitiu do cargo de ministro – sendo a primeira um também muito falado jantar que contou com a presença, o brinde e o verbo de António Chora – dirigente do BE, presidente da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa e apontado, pela generalidade dos analistas com lugar cativo nos média dominantes, como expoente máximo do sindicalismo moderno.

Trata-se de duas homenagens que não apenas espelham a abrangência social da obra do ex-ministro Pinho, mas definem um novo conceito de relações laborais – e que confirmam, também, que como diz o poeta «isto anda tudo ligado».Como é sabido, a luta de classes/versão Chora atingiu a sua expressão mais eloquente nesse momento histórico que foi o brinde do Solar dos Presuntos.

Ali se confirmou de forma inequívoca que, como dizem e escrevem os ideólogos do sistema dominante, a luta de classes da cartilha marxista-leninista é coisa ultrapassada e que o que está a dar é a ideia da inexistência de ideologias, portanto de classes, portanto de luta das ditas.

Ali, a dupla Chora/Pinho (ou Pinho/Chora: a ordem dos factores é arbitrária), ao protagonizar a notável representação, formato-brinde, de uma harmonização capital/trabalho plena de modernidade, exibiu o anverso de uma moeda, cujo reverso foi agora representado, em Ovar, pela dupla empresários/Pinho (ou Pinho/Empresários: a ordem dos factores é arbitrária).

Os empresários não estiveram, fisicamente, no Solar dos Presuntos – onde Chora disse que Pinho «enquanto ministro fez muito pela indústria do País».

Chora não esteve, fisicamente, em Ovar – onde os empresários disseram que Pinho «fez um bom trabalho enquanto ministro».Mas Pinho/Chora/empresários estiveram, de facto, qual tríade de classe, em ambas as homenagens. A confirmar que os bons espíritos encontram-se sempre…

  • José Casanova
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