quarta-feira, 7 de abril de 2010


TEORIA OCIDENTAL DA RELATIVIDADE

Pequeno desenho enviado por um médico do SMG (Syndicat de la Médecine Générale) para ilustrar alguns dos comentários...


- 90 pessoas têm a gripe H1N1 e todo o mundo tem que usar uma máscara.

- 5 milhões de pessoas têm SIDA e ninguém quer usar preservativo!

- 1000 pessoas morrem de gripe num país rico, é uma pandemia.


- Milhões de pessoas morrem de malária em África - é o seu problema...

sábado, 3 de abril de 2010

CHEIROS DE ABRIL

A crise do capitalismo, o PEC e a luta

Ao contrário do que ainda há poucos meses afirmavam os arautos do sistema, a crise capitalista desencadeada nos EUA em finais de 2008 está para dar e durar. De um dia para o outro a tónica do seu discurso passou de esperançosos «sinais de recuperação», para a de mais e «inevitáveis sacrifícios», antecipando mesmo que o que se seguirá não será a solução mas o agravamento dos problemas, desde o desemprego à segurança internacional.

O grande capital financeiro, a fracção do capital que cada vez mais fundido com o poder do Estado comanda ferreamente a dinâmica do sistema, não só não está disposto a abrir mão dos seus fabulosos lucros (é essa a sua natureza) como está a utilizar a crise que ele próprio provocou, para intensificar a exploração, liquidar conquistas sociais e direitos democráticos alcançados por décadas de duras lutas, reforçar o seu próprio poder.

Mais ainda. Num quadro em que o capitalismo não se encontra condicionado pela competição e comparação com o socialismo e a sua evidente superioridade social, os arautos do sistema, que sempre o apresentaram como a mais avançada de todas as formas de sociedade, estão a congeminar para o «pós-crise» cenários de brutal recuo civilizacional em que, mesmo os direitos mais elementares hoje consagrados na Carta da ONU e no Direito Internacional, seriam letra morta. É neste sentido que apontam as políticas de «ajuste» que estão a lançar para cima dos trabalhadores e dos povos, os custos das gigantescas injecções de capital que salvaram e engordaram o sistema financeiro. É neste sentido que aponta o Programa de Estabilidade e Crescimento que o Governo do PS, de braço dado com os partidos da direita e submisso às exigências da UE, quer impor ao povo português. É neste sentido que apontam as teorias de que se tem «vivido acima das possibilidades» e não será mais possível «viver como dantes», sendo necessário acabar com a «anomalia do Estado social europeu». É neste sentido que aponta um «novo paradigma de crescimento» capitalista, em que tudo seria transformado em mercadoria e o trabalhador reduzido à condição de simples produtor de mais valia.

Tão ambiciosos projectos de regressão não passam por ora disso mesmo, de projectos. A resistência e a luta que se desenvolve por todo o mundo pode derrotá-los. Mas eles existem e são realmente perigosos pois são acompanhados de uma frenética corrida aos armamentos num quadro em que se multiplicam as agressões imperialistas e os focos de tensão que (como bem mostram os antecedentes da 2.ª Guerra Mundial, da invasão japonesa da Manchúria a Munique, passando pela guerra Civil de Espanha ou pela invasão da Etiópia por Mussolini), podem vir a ter desenvolvimentos imprevisíveis. Tanto mais que se agudizam as rivalidades e as contradições inter-imperialistas, com os EUA a insistir numa afirmação de «liderança» que já não corresponde ao seu peso real no xadrez mundial, um Japão onde renasce o militarismo e crescem pretensões hegemónicas na região Ásia-Pacífico, a «grande» Alemanha a submeter a UE aos seus interesses como se viu no último Concelho Europeu em torno da chamada «ajuda» à Grécia, num processo que abalou seriamente a credibilidade do euro e que levou mesmo um «europeista» tão empedernido como Filipe Gonzalez, presidente do «Grupo de reflexão sobre o futuro da União», a afirmar que «a situação da UE é de emergência».
 

Neste quadro a luta dos comunistas e o reforço da sua solidariedade internacionalista é insubstituível. Contra a exploração, contra o militarismo e contra a guerra. Pelo fortalecimento da frente anti-imperialista. Tirando partido das dificuldades e contradições entre as grandes potências capitalistas. Neste sentido é de realçar a importância da posição comum aprovada na recente reunião do Grupo de Trabalho dos Encontros de Partidos Comunistas e Operários realizada em Lisboa, a propósito da Cimeira da NATO que terá lugar em Novembro em Portugal.
  • Albano Nunes

quinta-feira, 1 de abril de 2010

CHEIROS DE ABRIL

Receita da morte lenta

Em tempos que já lá vão a «morte lenta» era a designação que eu e um grupo de amigos dávamos a uma simpática tasquinha onde nos reuníamos à hora de almoço, sem pressas nem stress, para alimentar o corpo e desanuviar o espírito.

 O tempo parecia não passar por ali e os pratos saiam da cozinha a um ritmo próprio, sem condescendências pelos roncos do estômago e num desprezo total pelos viperinos comentários dos clientes. A comida chegava quando chegava e pronto, mas quando chegava fazia-nos esquecer todas as mágoas, pelo que durante anos fomos voltando, voltando, voltando sempre.

Um dia, depois das férias, o grupo ficou à beira da apoplexia quando descobriu que a «morte lenta» tinha virado «manjedoura», as madeiras tinha passado a cromados e da cozinha do nosso (des)contentamento não havia nem rasto. Órfãos de todo mudámos de poiso e os almoços perderam o encanto. Anos mais tarde, numa de saudosismo, voltei ao local. A «morte lenta» estava transformada em dependência bancária. Era o progresso.

Lembrei-me disto agora a propósito das declarações de Mira Amaral, ex-ministro da Indústria e Energia e actual presidente do banco BIC Portugal, a propósito do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). O ex-ministro, falando esta terça-feira à TVI, teceu fortes críticas à política do Governo e considerou que Portugal está «numa trajectória de morte lenta».


Na abalizada opinião de quem não serviu o País mas garantiu o (seu) futuro, as mudanças que importa fazer na economia portuguesa exigem um entendimento entre PS, PSD e CDS/PP (como se não fosse isso mesmo que sempre acontece...).

Mas isso já não chega, diz Mira Amaral, acrescentamos que «nós também temos que mudar de vida; as famílias têm que consumir menos e poupar mais, o Estado tem que gastar menos e as empresas têm que reduzir despesas supérfluas e aumentar a competitividade e os trabalhadores têm de trabalhar mais horas». É claro que o «nós» de Mira Amaral é majestático. Ele prescreve a receita de sempre e os outros que tomem a pílula.

  • Anabela Fino

quinta-feira, 25 de março de 2010

finança e os milagres

É sabido que um dos epicentros da actual crise do capitalismo se situou na falência de grandes bancos. Três deles são islandeses e quando entraram em falência a sua dívida conjunta era seis vezes superior ao PIB daquele país.

Em 2007 a Islândia era um «milagre». Em 2009 entrou na bancarrota. Com o despoletar da crise caiu o governo, substituído por outro saudado nos media como «de esquerda» (uma coligação de sociais-democratas e verdes).

Este governo «de esquerda» negociou com os credores internacionais desses bancos o acordo que seria de esperar («Lei Icesave»): a socialização dos prejuízos. Ao contribuinte islandês caberia pagar nos próximos 15 anos o equivalente a 2/3 do PIB mais 5,5% de juros.

Acontece que o povo islandês pôde pronunciar-se em referendo sobre esse acordo e rejeitou-o com 93% dos votos.

As contas-poupança Icesave ofereciam juros de mais 5% e o banco Kaupthing oferecia condições semelhantes. Não admira que tivessem atraído depositantes de todo o mundo. O sítio WikiLeaks publicou agora uma listagem (confidencial, e cuja publicação o banco tentou por todos os meios impedir) de credores do banco Kaupthing com mais de 28 mil nomes. Desde grandes bancos e empresas, a fundos de pensões e autarquias (de Inglaterra e da Holanda), a investidores individuais a lista é particularmente interessante. E um dos aspectos interessantes resulta da forma como ilustra o papel destas operações de especulação financeira no processo global de centralização do capital.

Angariam investidores de diferentes dimensões mas é nos grandes grupos que se concentram as vantagens e os lucros, como aconteceu com o grupo Bauger, proprietário de meia Islândia, que investiu na Grã-Bretanha à conta de empréstimos de 330 biliões de coroas islandesas, e que está agora a ser investigado pelo Serious Fraud Office (a mesma entidade, por acaso, que tem investigado o processo Freeport).

Entre os credores incluídos na lista agora publicada estão instituições religiosas: as Carmelitas del Sagrado Corazón e a Fábrica do Santuário de Fátima. Se tivessem sido mais prudentes, saberiam que milagres da multiplicação se podem encontrar na Bíblia, mas que quando se trata do universo financeiro do capitalismo é preferível consultar Marx
  • Filipe Diniz

segunda-feira, 22 de março de 2010

Aos intelectuais e artistas do mundo


Secretariado da União Nacional de Escritores e Artistas Cubanos


20.Mar.10 :: Outros autores





Enquanto a Feira do Livro decorria de um extremo ao outro do nosso país e centenas de médicos cubanos salvavam vidas no Haiti, vinha-se gerando uma nova campanha contra Cuba.

Um delinquente comum, com um historial provado de violência, transformado em «prisioneiro político», declarou-se em greve de fome até que lhe fossem instalados telefone, cozinha e televisão na sua cela. Incentivado por pessoas sem escrúpulos e apesar de quanto se fez para lhe prolongar a vida, Orlando Zapata Tamayo faleceu e foi convertido num lamentável símbolo da maquinaria anticubana.

Em 11 de Março, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução que «condena energicamente a morte evitável e cruel do dissidente preso político Orlando Zapata Tamayo» e numa intromissão ofensiva nos nossos assuntos internos «insta as instituições europeias a darem apoio incondicional e incentivo sem reservas ao início de um processo pacífico de transição política para uma democracia pluripartidária em Cuba».



Com o título «Orlando Zapata Tamayo: acuso o governo cubano», está a circular um apelo para recolha de assinaturas contra Cuba. A declaração assegura que este recluso foi «injustamente encarcerado e brutalmente torturado» e que morreu «denunciando estes crimes e a falta de direitos e democracia neste país». Ao mesmo tempo, mentem sem qualquer pudor sobre uma suposta prática do nosso governo de «eliminar fisicamente os seus críticos e pacíficos opositores».

 Em 15 de Março, um jornal espanhol mostrava em primeira página o rosto de Zapata Tamayo, já morto, no caixão, ao mesmo tempo que anunciava a adesão ao apelo de alguns intelectuais que misturavam as suas assinaturas às de velhos e novos profissionais da contra-revolução interna e externa.



Os escritores e artistas cubanos estão conscientes da forma como se articulam sob qualquer pretexto as corporações mediáticas e os interesses hegemónicos para prejudicar a nossa imagem. Sabemos com quanto assanhamento e morbidez se distorce a nossa realidade e como diariamente se mente sobre Cuba. Também sabemos o preço a pagar pelos que lá tem tentado expressar-se culturalmente com matizes próprios.



Na história da Revolução jamais se torturou um prisioneiro. Não houve um só desaparecido Não houve uma só execução extrajudicial. Fundámos uma democracia própria, imperfeita, sim, mas muito mais participativa e legítima que a que nos pretendem impor. Não têm moral os que orquestraram esta campanha para nos darem lições de direitos humanos.



É imprescindível deter esta nova agressão contra um país bloqueado e acossado sem piedade.

Apelamos por isso à consciência de todos os intelectuais e artistas para que não acolham interesses espúrios à volta do futuro de uma Revolução que foi, é e será um modelo de humanismo e solidariedade.



aa)Secretariado da União Nacional de Escritores e Artistas Cubanos (UNEAC)



Direcção Nacional da Associação Hermanos Saíz (Associação de Jovens Artistas Cubanos)

Tradução de José Paulo Gascão
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