Especulações do Público
Negócios em Lisboa não envolvem o PCP
Continuar, significa que não devemos estagnar no pouco tempo que temos de estar neste pequeno mundo dentro do grande Universo que nos rodeia. Continuar, é lutar contra a exploração do homem pelo homem é combater as injustiças que nos rodeiam neste Mundo. Continuar, é o estar sempre presente, olhando o futuro não esquecendo o passado.

O desemprego subiu para 6,1% e com estes números, desapareceram em 2008 mais de 600.000 empregos. Este índice é um dos mais altos desde a recessão de 2001, a que se juntam os aumentos dos produtos básicos, do combustível e enorme endividamento das famílias trabalhadoras.
As primeiras consequências sociais da crise reflectem-se em imagens inauditas como as cidades-tenda que cresceram nos arredores das grandes cidades como Los Angeles e São Francisco. Este é um dos retratos mais sombrios: milhares de pessoas a viverem com as suas famílias nos seus automóveis ou em tendas. Muitos dos habitantes destas cidades precárias são famílias trabalhadoras (uma grande parte negra e latino-americanos, os sectores mais afectados pelas hipotecas lixo). Muitos abandonaram os seus andares, para fugirem dos desalojamentos e das dívidas. O combustível para aquecer as casas aumentou 30% desde 2007 e, uns meses antes do Inverno, o governo dos EUA ameaçou cortar a ajuda ao combustível para aquecimento nos bairros de baixos rendimentos, dentro do corte de medidas sociais (em grande parte com menos dotações pelos cortes dos impostos aos ricos).
Já em Abril o governo anunciara que 28 milhões de pessoas necessitariam de vales de comida para comerem: o aumento mais significativo desde a década de 1960.
O mais grave é que o rebentar da bolha imobiliária iniciado em 2007 aprofundou as más condições de vida de uma parte importante dos sectores operários e populares (calcula-se apenas 25% tem um salário que cobre as suas necessidades, incluindo o seguro de saúde). Antes de rebentar a crise, no país mais rico do mundo, 51,7% milhões viviam já na pobreza, 35 milhões passaram fome durante o ano de 2006 e 50 milhões não tinham seguro médico (seja dito que não existe saúde pública nem obras sociais sindicais).
Só em Agosto, mais de 300.000 casas foram notificadas da execução: 2 em cada 416 propriedades dos EUA (CNBC, 12/9). Em Maio votou-se um pacote de ajuda aos pequenos devedores, mas este apenas foi para refinanciar as dívidas de um sector, pelo que continuam milhões de execuções hipotecárias.
Com este panorama orquestrou-se o maior transferência de dinheiro da história: milhares de milhões de dólares para salvar empresas que enriqueceram durante as últimas décadas. Apesar do fracasso da primeira tentativa de votação no Congresso, tanto o candidato democrata, Barack Obama, como o republicano, John McCain, bem como os líderes das duas bancadas mostraram a sua vontade de apoiar as grandes empresas e o governo de Bush, o mais impopular da história do país. À margem dos discursos hipócritas de campanha eleitoral, o partido democrata demonstrou, uma vez mais, que não é alternativa alguma para «a mudança» que Obama tanto apregoa.
Ouvem-se vozes de protesto
O descontentamento com a situação económica cresceu com a rejeição do plano de Paulson. Todos sabem quem pagará a factura. Bush foi claro: «estas medidas requerem que utilizemos um montante significativo dos dólares dos contribuintes», disse, referindo-se aos 700.000 milhões de dólares do Plano Paulson. Segundo sondagens feitas, mais de 70% da população rejeita a medida porque vêem que são eles, os trabalhadores e os sectores médios empobrecidos, os que perdem o trabalho, os que ficarão devedores, os que pagarão a crise.
Ainda que os principais entraves tenham vindo da parte da oposição interna no Congresso, a rejeição fez-se sentir, até agora de forma calma. Realizaram-se protestos e mobilizações em frente dos bancos e repartições públicas contra o «Bailout» [N. do T.: entrada de dinheiro fresco para evitar a falência. Tem uma conotação negativa que, livremente, poderia ser traduzido por golpada.], e no coração de Wall Street. As principais palavras de ordem são contra o governo republicano e a salvação de empresas com o dinheiro dos impostos.
Tal como na campanha eleitoral, apesar das hipocrisias que se dizem na televisão, nenhum dos partidos é uma alternativa. Com mais ou menos diferenças, democratas e republicanos demonstraram que a sua lealdade é para com Wall Street e as grandes empresas, e não para com os trabalhadores e o povo.
A única forma de mitigar esta crise é fazê-la pagar aos que a provocaram: há que suspender todas as execuções hipotecárias, dividir as horas de trabalho entre todas s mãos disponíveis para lutar contra a desocupação, pôr em funcionamento um plano de obras públicas sob controlo dos trabalhadores, para recuperar a infra-estrutura do país e que crie milhões de postos de trabalho financiados com os impostos às grandes fortunas. Nem um dólar para os bancos!Estas e todas medidas necessárias para enfrentar a crise só poderão ser impostas com a mobilização de trabalhadoras e trabalhadores e dos sectores empobrecidos independentemente dos partidos democrata e republicano.
Este texto foi publicado em La Haine, Tradução de José Paulo Gascão
Os Precários-Inflexíveis vêm por este meio repudiar a atitude do Governo em Castelo Branco, com a criação de um call center da Segurança Social que funcionará às custas de mais duzentas pessoas a trabalhar de forma precária. Parece ficção mas está a acontecer em Portugal, segundo relatou a RTP na semana passada. E é uma atitude vergonhosa, apenas possível em países onde o poder seja exercido com mentiras descaradas, arrogância e demissão de quaisquer responsabilidades. Como é que pode ser a própria Segurança Social a entrar no jogo sujo do falso trabalho temporário? Será que a Segurança Social considera temporário o serviço de atendimento aos contribuintes?!?
Chega o primeiro Outono pós anúncio do novo código de trabalho Sócrates-Vieira-da-Silva e há cada vez menos vergonha no País das Impunidades. Castelo Branco era terra de bons queijos, fica também agora para a história como a localidade onde o Governo Sócrates accionou o seu balão de ensaio da precarização da administração pública, começando a entregar as funções da Segurança Social a empresas de trabalho temporário.
Trata-se da criação de postos de trabalho? Não. Serão mais duzentas pessoas a trabalhar sem direitos, precárias e mal pagas. E quem o fazia como funcionário do Estado perde obviamente, acabando por engrossar em muitos casos as listas não escritas do desemprego e do sub-emprego.
Há cada vez menos vergonha no País das Impunidades. Mas o caso não nos causa espanto. Claro que desconfiámos quando ficámos a saber que "o Estado cumprirá a sua parte", para resolver o problema dos falsos recibos verdes no sector público. Quem o disse foi o actual ministro do Trabalho e da Segurança Social, José Vieira da Silva. O primeiro-ministro José Sócrates repetiu-o e a ideia foi passando como uma bandeira do Governo. A precariedade seria combatida, diziam.
Agora não restam mesmo dúvidas que era mentira. A precariedade está a ser mantida e promovida pelo Estado, nas mãos do Governo Sócrates. Mas que país será construído sobre os escombros das nossas vidas exploradas? Quem ganha no meio disto tudo? Os portugueses em geral só têm a perder, com excepção dos que ganham directamente com o aumento do trabalho precário e com o crescimento da área de negócio das empresas de trabalho temporário.
Por exemplo, Vitalino Canas: deputado, porta-voz do PS e "provedor do trabalho temporário", pago pelo lobby das empresas de trabalho temporário. É o que se chama ter a faca e o queijo na mão!
Por estas e por outras, não há acordo para a precariedade. E podem contar connosco, estamos aqui para lutar contra a precariedade que nos anda a invadir as vidas.